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Fórum de Entidades Reage Baixada
“Juventude: Educação, Cultura e Paz”

> Adriano Dias

A região da Baixada Fluminense, sobretudo, nas duas últimas décadas, experimentou relativo desenvolvimento, tanto no que diz respeito à auto-sustentação econômica e à infra-estrutura - mesmo que, havendo predominância nos centros urbanos. Por outro lado, observa-se ainda um déficit de direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais que deprimem sua população. Disto emerge uma cultura de “zona de exclusão” que parece legitimar a falta de políticas públicas adequadas para seus habitantes.

Para os jovens da Baixada, em uma situação diferenciada da Capital, o tráfico ainda não se constituiu enquanto “política de trabalho”. Predomina assim, um tipo de “ócio” que conduz a outras situações de risco. A falta de programas de incentivos e aparelhos públicos de esporte, educação e cultura, ou estruturas de desenvolvimento econômico - em determinadas regiões - levam a população, principalmente a mais jovem, a um quadro de inação e desesperança, que reduz a estima, os “horizontes” e perspectivas. À isto, soma-se um movimento que insiste em atribuir à pobreza, e não às desigualdades estruturais, o principal estopim para a violência. A desigualdade social experimentada por estes jovens é refletida em âmbito nacional. A baixa estima destes moradores acaba influenciando em vários aspectos de suas vidas, do social ao político, e do filosófico ao artístico.

O quadro é ainda mais agravado quando se observa a invisibilidade da Baixada Fluminense na imprensa, a despeito do fato de que quase a metade das notícias veiculadas por todos os jornais tem como foco o Estado do Rio de Janeiro. Pouco referem-se à Baixada para além da estigmatização da violência e da falta de políticas públicas, consolidando estes como grandes destaques nos noticiários sobre a região na grande mídia.

Apesar disso, deve-se destacar que existe na região uma conjuntura social, geográfica, logísticas e ambientais muito favoráveis. Esta conjuntura, se devidamente potencializada com investimentos estruturais e políticas públicas de qualidade, pode se tornar o ponto de partida para a reação social e econômica do Rio de Janeiro frente a violência.

Caldo de cultura para mudar o quadro de exclusão na região existe: historicamente a Baixada sempre foi o celeiro de um infinito número de movimentos sociais que sempre lutaram para consolidar seus direitos. E, existe uma efervescência de ações na região, novas e autênticas formas de organização, muitas feitas por iniciativa dos próprios jovens.

Observando toda esta conjuntura - positiva e negativa - acreditamos que existe a possibilidade de que “o resgate do Rio passe pela Baixada”, mas que principalmente “o resgate do Rio passe pela juventude da Baixada”. Neste entendimento o Fórum de Entidades Reage Baixada escolheu como tema “Juventude: Educação, Cultura e Paz”, para ser trabalhado a partir dos seus dois anos de aniversário.

A escolha se deu por vários fatores: os jovens são as maiores vítimas, e muitas vezes perpetradores, da violência letal. Além disso, questões como educação, cultura, trabalho e renda, gênero, entre outros, serão contemplados dentro das discussões e ações em que o Reage Baixada envolverá a juventude e os mais diversos atores sociais.

Todos estes planos estão dentro da decisão de que a partir deste ano o Reage Baixada pretende ter outra forma e dinâmica para sua atuação, que até o momento foi prioritariamente na cobrança por justiça e apoio às vítimas de violência letal. As pessoas e movimentos que o compõem pretendem formar uma grande rede de discussão, formação, formulação - e também cobrança - dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. A meta é consolidar na Baixada Fluminense a Cultura da Paz, a Cultura de Direitos, para que em breve não se tenha mais que cobrar por justiça para as vítimas de violência.

Publicado no jornal ComCausa 21.

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