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A política do Hip Hop pelo Mundo

> Giodana Moreira

Alemanha, EUA, Uruguai e Brasil - O debate “A Política do Hip Hop pelo Mundo” fez parte das atividades da Jornada Cultural no SESC de Nova Iguaçu no dia 16 de Novembro.
O primeiro debate com este tema aconteceu neste ano na Alemanha, com participação da ComCausa e Setor BF, em um encontro do projeto CBB Intercâmbio - promovido pela Fundação Rosa Luxemburg e no Brasil coordenado pela FASE.

O CBB trabalha a prática político-social através da cultura. Desta vez seus integrantes expuseram aspectos políticos, sociais e do mercado cultural da Alemanha, Uruguay e Brasil. Também, convidaram o produtor musical e DJ Klos, brasileiro que trabalhou com o Rap Americano por 15 anos, para conhecer a situação do Hip Hop em diferentes contextos.
Do seu surgimento, através do visionário Afrika Bambaatta, até sua conversão a pop cult DJ Klos, falou da total dominação da indústria fonográfica sob o Hip Hop norte americano, e sem espaços para a resistência. Esse estereótipo da ostentação, sexismo e consumismo do Hip Hop atinge a todos, em especial uma referência para a arte do Hip Hop, na Alemanha.
Carlos (Nate Word Crew) e André (Hip Hop Partizan) são MCs que realizam a multiplicação do quinto elemento, o conhecimento, aonde exitirem jovens com problemas sociais na Alemanha.
Com a influência de um forte mercado, grupos como estes são poucos e não contam com apoio dos movimentos. Questões problemáticas na sociedade como o racismo aparecem nas batalhas através dos neonazistas, uma questão global que não surge no Hip Hop, mas que grupos que trabalham com o quinto elemento procuram enfrentar.
Barragan, MC do grupo La teja Pride, nos contou que com uma história bem mais recente - o Hip Hop Uruguaio se constituiu a partir do surgimento de três grupos no inicio dos anos 90 - e hoje conta com uma maior quantidade de grupos que desde o início produzem raps de conteúdo político. Porém, só após ações sociais e pela iniciativa das rádios comunitárias a sociedade ficou conhecendo o movimento, que ainda se posiciona passivamente com relação às organizações políticas. Sem meios de difusão para levar o Hip Hop para o conhecimento popular, o “La Teja Pride” utiliza sonoridades diferenciadas para alcançar o público, como o samba com Rap “Aquarela”, que apresentaram na Jornada Cultural.
Diante destas conjunturas, o Brasil se coloca como uma grande potência do movimento cultural. Se pensarmos em toda a produção artística, inovadora e com uma identidade nacional, em um intenso movimento sócio político, com demandas incluídas nos programas governamentais, por que então ainda é tão difícil fazer Hip Hop no Brasil?
O debate internacional apontou novas perspectivas para o debate interno, sobre a necessidade de criar espaços comuns para unificar as iniciativas positivas que impressionam outras partes do mundo.

Giordana Moreira é Coordenadora da ComCausa, produtora Cultural, participa da Rede de Grupos Artísticos e Culturais da Baixada Fluminense, do Fórum Reage Baixada, é Iguaçuana, mais especificamente da comunidade de Rosa dos Ventos, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro e pensa Hip Hop.

Publicado no jornal ComCausa 27.

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