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Um marco histórico

> Por Eugênio Ibiapino

A Baixada Fluminense sempre foi vista de forma negativa. Uma região que apenas tinha como referência chacinas, entulhos e lama. Passados tantos anos, hoje um setor da sociedade já cala a boca quando anunciamos as inovações políticas que ocorreram em nossa cidade e deram visibilidade a uma região sempre vista como coitadinha. Essa época já passou.

A vitimização está ficando cada vez mais para trás. Os acontecimentos sociais e políticos por si mesmo já falam que o cenário está mudando a cara da região, especialmente a de Nova Iguaçu: a realização da Parada GLBT, aglutinando mais de 60 mil pessoas em 2007, segundo o site “G magazine”; a realização do Fórum Mundial de Educação, no qual haverá um painel falando da diversidade sexual; e a realização da Conferência Regional de Políticas Públicas para GLBTT que ocorrerá em Nova Iguaçu.

A realização das conferências regionais, estaduais e nacional está dentro de uma aliança combinada com os governantes para que possamos pôr em prática o projeto “Brasil sem homofobia”, que implementará políticas públicas de combate à discriminação aos homossexuais brasileiros. Portanto, a realização desta conferência em nossa região será um acontecimento bastante significativo. É o momento de aglutinar pessoas dos mais variados setores da sociedade, as que estão sendo vítimas do preconceito para com a sua orientação sexual; ou mesmo aqueles que são simpatizantes dessa causa, e não querem mais que seus amigos e parrentes sejam alvo desse tipo de segregação social.

A homofobia, ou seja, o medo e a intolerância aos homossexuais, tem sérias raízes políticas e culturais que se apresenta das mais variadas formas, desde a expulsão de casa dos filhos adolescentes por sua orientação sexual, até a negação de registro de suas ocorrências policiais de crimes homofobicos. Isso, sem se falar no preconceito que ocorre dentro das escolas para com os GLBTs, que são obrigados a enfrentar essa situação sozinhos, haja vista que nem os pais nem os professores se encontram capacitados para coibirem tais abusos e achincalho dentre outras formas de humilhação para com os estudantes homossexuais.

Na hora de procurar emprego, o cidadão homossexual sente na pele o quanto a sociedade ainda é preconceituosa. Se um candidato GLBT demonstrar sua condição homossexual, automaticamente não será aceito no trabalho mesmo que sua profissão esteja adequada para aquela vaga.

Na Baixada Fluminense parece que o precoceito expõe sua face mais cruel, como foi relatado por Adriano Dias na edição de julho de 2007 do jornal da ComCausa:

“Na Baixada Fluminense - palco de diversos atos de desrespeito aos direitos humanos - os homossexuais são um dos grupos que mais sofrem, pois neles são canalizados todos os preconceitos. São alvos de grupos de extermínio e homofóbicos que gostam de se divertir com o sofrimento daqueles com quem não compartilham os mesmos valores, têm acesso diferenciado a direitos e ao exercício da cidadania. Para qualquer um que, acima de tudo, valoriza a vida é inquietante saber de tanta violência.”

No dia 15 de março, Nova Iguaçu não será mais a mesma.

Nessa data centenas de pessoas dos municípios que compõem a Baixada estarão discutindo, votando propostas para o combate sem trégua à violação dos direitos humanos da comunidade homossexual, pondo em prática um projeto político que vai colocar os cidadãos e cidadãs homossexuais no seu devido lugar na História. Não podemos falar em democracia quando mais de dez por cento da sociedade tem os seus direitos básicos negados pelo simples fato da sua orientação sexual ser diferente da maioria da população.

A Conferência Regional de Políticas Públicas para GLBT será aberta ao público, porque a luta contra o preconceito não é algo somente dos homossexuais, da mesma maneira que o combate ao racismo não deve ser tarefa somente do povo negro. Toda pessoa que deseja um Brasil diferente, civilizado e plural, deve participar deste tão importante evento.

A entrada é franca e a palavra também.

 

Publicado no jornal ComCausa 29.

 
 
Eugênio Ibiapino é fundador do movimento GLBT na Baixada Fluminense.
 
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