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Alimentação: qualidade de vida

> Por Sueli Rutis

Um dos melhores prazeres da vida é comer... E nós adultos sabemos muito bem disso. Um feijão com arroz fresquinho e bem temperadinho, com qualquer outro complemento é uma maravilha!...
"Somos o que comemos", comemos o que estamos habituados, o que nos ensinou nossos pais, o que é mais prático, o que não dá muito trabalho e que também não é muito caro (para a grande maioria da população brasileira). Nesse contexto, fomos habituados a ingerir alimentos de preparo rápido, prático, saboroso, encontrados em todos os lugares, tipo: massas, frituras, sanduíches (pão com tudo), bolos, biscoitos, refrigerantes etc.

Terreno delicado é esse da gastronomia... A maioria das pessoas não quer nem pensar em mudar seus hábitos alimentares. A vida já é tão exigente com a gente... Para que impor mais sacrifícios?

O fato relevante é que as estatísticas mostram elevação no número de obesos, hipertensos, diabéticos (na melhor fase da nossa vida), colocando-nos em risco justamente quando estamos "preparados" para viver o que construímos, trazendo risco grave de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (derrame), complicações circulatórias (hipertensão, insuficiência venosa, risco de trombose), problemas no aparelho músculo-esquelético (coluna vertebral e articulações), entre outros problemas. E é aí que perdemos o essencial, uma boa qualidade de vida, levando-nos a um círculo vicioso: indispostos e adoecidos, só nos resta o prazer de comer...

Hoje, os meios de comunicação de massa, os educadores e profissionais de saúde tentam de várias maneiras seduzir a população a mudar de atitude, a ser mais conseqüente quanto à quantidade e qualidade do que se come. É importante desde o nascimento, em relação à alimentação saudável, incentivar as mães a amamentarem seus bebês (leite de vaca foi feito para bezerros e marmanjos...). No aleitamento ao seio os bebês, além dos nutrientes valiosos para seu crescimento e desenvolvimento, encontra-se proteção para muitas doenças e conforto psicológico do contato físico com a mãe. Ainda na primeira infância (até os 7 anos) devemos evitar os alimentos industrializados – os bebês e as crianças pequenas não vão ao supermercado para compra-los, somos nós adultos que apresentamos tais alimentos às crianças, muitas vezes incentivados por propagandas enganosas quanto a conteúdo e qualidade dos preparos industrializados. Eles dizem o que necessitamos ouvir!

É ainda muito importante que os adultos consumam regularmente verduras, frutas, legumes, queijos, etc. para que as crianças, observando-os, possam estar "copiando" nosso comportamento. Quanto aos adultos, cabe a árdua tarefa de, em função do objetivo maior (qualidade de vida), abrir mão das deliciosas gordurinhas dos bifes, dos salgados no feijão, dos embutidos, do excesso de carbohidratos (pães, bolos, biscoitos, massas em geral), excesso de sal, de frituras (preferir alimentos cozidos, assados ou grelhados), refrigerantes e de quantidades excessivas que sobrecarregam na digestão.


De vez em quando, em ocasiões muito especiais, tipo Natal, Ano Novo, - e não nas dezenas de aniversários e festinhas de nossos amigos... - é aceitável relaxar e se permitir "pecar"...

Afinal, não é justo que após vários anos de lutas para construir um futuro tranqüilo, quando devemos curtir "coisas" boas da vida, sejamos tragados nesta deliciosa armadilha.

- Dra. Suelí Rutis é médica e assessora para a área de Saúde da ComCausa.

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Publicado no jornal ComCausa 33.
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