Núcleo de Amigos e familiares de vítimas de Violência

 

Núcleo de Amigos e familiares de vítimas de Violência


Fazer o acompanhamento e discussão de casos de violência na Baixada; acolher e auxiliar parentes e amigos das vítimas; monitorar as ações do poder público junto à população atingida; discutir e interagir com todos os setores da sociedade – principalmente com as instituições que trabalham com a segurança pública – contribuindo para a mudança real da conjuntura da violência letal na Baixada Fluminense.

Setembro de 2008

Acusados da chacina da Via Show são condenados

 

> Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência

 

Em julgamento realizado no dia 19 de agosto no tribunal da 4a Vara Criminal de Duque de Caxias, mais três policiais militares foram condenados pelo assassinato dos jovens Geraldo de Azevedo, Bruno Paulino, Rafael Paulino e Renan Medina, no crime brutal que ficou conhecido como Chacina da Via Show. Um quarto policial, Henrique Vitor de Oliveira Vieira, que já fora condenado em junho de 2006, também foi novamente julgado, por ter direito a novo júri (que, até recentemente, era direito automático de sentenciados a penas elevadas - essa lei foi modificada há poucas semanas). Entretanto, sua condenação foi confirmada e sua pena ampliada para 67 anos de prisão em regime fechado (sua sentença anterior era de 25 anos).

Os demais policiais - Fábio Guimarães Vasconcelos, Paulo César Manoel da Conceição e Eduardo Neves dos Santos - foram também condenados por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima), ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Pelos crimes foram sentenciados a 68 anos de prisão em regime fechado.

Bete e Sirley, mães dos jovens e lutadoras há quase cinco anos por justiça, consideraram o julgamento uma grande vitória. Elas sofreram todos estes anos com a espera e os sucessivos adiamentos dos julgamentos (mais de 8 vezes), mas agora pensam que a justiça começa a ser feita. Elas, e todos nós, esperamos que os quatro policiais que restam ser julgados, incluindo o único oficial acusado, o capitão Ronald Alves, sejam igualmente condenados. Todos faziam parte de uma mesma quadrilha de exterminadores e "segurança particular" que agiam na Baixada Fluminense.

Clique para ampliar.Os familiares ainda aguardam pelo julgamento dos demais denunciados.

Foto: Internet

Publicado no jornal ComCausa 35.

 

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Julgamento da Chacina da Via Show

Renan Medina, Geraldo Sant’ Anna, Bruno Muniz Paulino e Rafael Paulino foram vistos pela última vez na madrugada do dia 6 de dezembro de 2003 no estacionamento da casa Via Show - em São João de Meriti - enquanto eram agredidos por policiais que faziam serviço de segurança. Dias depois, foram encontrados mortos.

No dia 9 de Junho de 2005 o juiz decretou a prisão de policiais - na época eram lotados na 15º BPM (Caxias) e no 21º BPM (São João de Meriti) - suspeitos de envolvimento na chacina. Em julho o Ministério Público ofereceu denúncia criminal contra os soldados Gilberto de Paiva, Luiz Carlos de Almeida, Vagner Luís Victorino, Henrique Vitor de Oliveira Vieira, Fábio Vasconcelos, Paulo César da Conceição e Eduardo Neves dos Santos e o capitão Ronald Alves.

Somente o soldado Henrique Vitor foi julgado em julho de 2006, entretanto, ganhou o direito a novo júri por conta da pena que recebeu: 25 anos e 7 meses de prisão.


Segundo julgamento

No proximo dia 19 de agosto, quase cinco anos após o crime, outros acusados - Fábio Vasconcelos, Paulo César da Conceição e Eduardo Neves dos Santos - vão a julgamento pela primeira vez. Este julgamento já foi adiado pelo menos 8 vezes. Ainda faltam ser julgados o único oficial acusado, o capitão Ronald Alves, e mais três soldados.

O julgamento será a partir das 13 horas no tribunal da 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias, Fórum de Caxias - Rua General Dionísio, 764 - Bairro 25
de Agosto.
Todos os policiais acusados parecem fazer parte de uma quadrilha que fazia "bico" de segurança particular na casa de shows da Via Dutra. Esse tipo de segurança privada é típico de policiais integrantes de grupos de extermínio da Baixada.


Relembrando a Chacina da Via Show, de 2003

Tudo teria começado na madrugada do dia 5 de dezembro de 2003 quando Geraldo Santana urinou ao lado do carro de um soldado PM responsável pela chefia de segurança dos camarotes. Outros dois policiais teriam interpretado a aproximação do jovem como uma tentativa de furto do veículo e passaram a agredi-lo.

Pouco depois, Rafael, Renan e Bruno Muniz foram até o estacionamento para saber o que estava acontecendo e acabaram sendo capturados e agredidos pelos policias militares que faziam bico como segurança no estacionamento da casa de espetáculo. Um amigo do grupo chegou a ver a agressão. Quatro dias depois - 9 de Dezembro - Renan Medina Paulino, Geraldo Sant’ Anna Azevedo, Bruno Muniz Paulino e Rafael Paulino foram encontrados na Fazenda Morabi, em Imbariê - Duque de Caxias, com sinais de tortura e tiros de fuzil.

Segundo a promotora da 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias – Dra. Márcia Colonese - o crime foi praticado com a cobertura de uma patrulha da PM que escoltou o grupo até Caxias.

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A história se repete - novembro de 2007

No dia 03 de novembro de 2007, mais uma vez jovens foram mortos após saírem da casa de espetáculos Via Show.

José Diego de Oliveira Alencar; e os irmãos Fábio da Silva e Alexandre da Silva, foram encontrados próximo à Via Dutra, em São João de Meriti. O motivo teria sido uma briga dentro da Via Show provocada por ciúmes. Os envolvidos na briga foram expulsos da casa de shows pelos seguranças.

Eles teriam sido abordados no ponto de ônibus por quatro homens armados que estavam de carro e moto.

Publicado no jornal ComCausa 34.

Veja mais www.comcausa.org.br/afaviv

Fotos e reportagens: Acervo da família e ComCausa.

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Página desenvolvida pela ComCausa.

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