Jornal ComCausa 19

 

 

ComCaua

Janeiro de 2007

 

> Entrevista: BNegão

> Artigo: A Cultura do extermínio na Baixada

> Jovens levam a cultura da Baixada para o Recife e Uruguai

> Galpão Skate Park faz o diferencial

 

 

 

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Editorial Notas & Reflexões MovimentAção Fazendo Arte Estante

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Galpão Skate Park faz o diferencial

> Por Giordana Moreira

A cidade de Nova Iguaçu abriga a primeira pista de Skate pública da América Latina, recebendo adeptos desde a década de 70 que construíram intimidade com a cultura do esporte. Nesta pista aconteceram memoráveis campeonatos com o apoio da população. Apesar desta história, tanto a antiga pista - em formato “bowl” - e a nova área de “street” localizados na Via Light não recebem as conservações necessárias para a preservação do que constitui um patrimônio cultural da Baixada. Além deste descaso, os atletas locais não tem qualquer tipo de incentivo significativo para desenvolvimento profissional, e apesar disto, carregam o nome da cidade pelos pódios de todo o Brasil.
Para fazer frente a este quadro de desvalorização do esporte, um atleta de referência, com uma relação de 19 anos de amor e trabalho - o skatista profissional Tobias Soares - inaugurou em agosto de 2006 o Galpão Skate Park. Trata-se de um projeto que se propõem a ir muito além de um novo espaço para a prática do esporte, ele surge com o intuito de incentivar a cultura do Skate no Rio, principalmente na Baixada, com responsabilidade e participação social.
Usando o esporte como maneira de aglutinar jovens e dar novas perspectivas - Tobias, coordenador do Galpão - que está localizado em um bairro carente da periferia de Nova Iguaçu - se preocupou com a inclusão da população infanto-juvenil da região. Além da escolinha particular que ocorre durante a semana, nos fins de semana, oferece uma oficina gratuita para as crianças e adolescentes da rede pública.
Além do esporte, o Galpão é um espaço aberto para outras atividades, recentemente abriu as portas para um festival de bandas. Com o objetivo de potencializar ações, ampliar as atividades educacionais, culturais e sociais, O Galpão e a ComCausa firmaram convênio e suas atividades serão intensificadas em 2007.
Todas estas iniciativas darão um novo gás e respeitabilidade para o skate na Baixada, que reaparece com novas perspectivas e importantes aliados na valorização da prática do esporte. Partindo da iniciativa de quem constrói a cultura não oficializada, mas que faz parte da vida de tantos jovens e atletas, da memória e do patrimônio, da identidade construída há décadas e continua se renovando hoje e com investimentos, o amanhã.

“Tem que reformar a antiga pista e também a área de street da Via Light, não podemos sair daqui, que é berço do skate para andar em outros lugares” - Vitor Neves, o Paulista, atleta que representa Nova Iguaçu

“A situação do skate no estado do Rio é a pior possível, não há nenhum investimento no esporte e nos atletas” - Tobias Soares, coordenador do Galpão Skate Park

I Capeonato Galpão Skate Park
No final de 2006 aconteceu o primeiro campeonato promovido pelo Galpão Skate Park com mais de 1200 espectadores e 157 atletas de diversas regiões do estado, de São Paulo, Minas e Brasília, divididos nas categorias Mirim, Iniciante, Feminino e Amador, que concorreram a melhor premiação que o Rio de Janeiro teve em dez anos.
O sentimento de confraternização deu o clima ao evento que reuniu profissionais como Julio Feio, Mauro Tarobinha; os juízes, Douglas Ugry, Marcelo Gouveia e Marcos Hiroshi, que veio de São Paulo e elogiou a organização e o público fluminense: “O Rio anda carente de campeonatos deste nível, com vários atletas de diferentes partes do Brasil e a diferença é que o público aqui participa mais, incentiva o atleta”.
Em meio a tantos atletas, outro ponto alto foi a grande participação de atletas femininas que superaram a média.
Devido ao sucesso do campeonato, reconhecido por atletas e pela mídia especializada, o Galpão Skate Park se prepara para seu primeiro Circuito em 2007.

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Editorial

> Por Adriano Dias

Muita coisa se passou nestes 20 anos, quando em 1987, montamos o fanzine – ou se preferir - zine “Consciência Nacional” motivado pelo momento histórico e pela vontade de participar dos movimentos que estavam acontecendo naquela época. Sobretudo, muita coisa mudou nos últimos 10 anos, desde 1997 quando lançamos o jornal “Alternativo Informativo”, ainda com as propostas e convicções do antigo zine.Hoje, com a intensificação do envolvimento em ações junto aos movimentos sociais, principalmente daqueles que atuaram diretamente com a juventude e a consolidação dos direitos econômicos, culturas, sociais, ambientais, ou seja, os DESC´s; ocorreu a necessidade de reavaliar estratégias e metas anteriormente estabelecidas e amadurecer uma nova proposta. Disto resultou a observação que ainda é forte a necessidade de se criar um elo para expressão, principalmente da população juvenil periférica. A visão destes se torna minimizada e o impacto da pouca informação que adquirem se torna indicadora de valores, costumes e de consumismo. Assim, após várias discussões, chegou-se a proposta de se reafirmar este meio de comunicação como um instrumento de integração das diversas formas de expressão veiculadas a “CULTURA DE DIRETOS” e o nosso informativo ALTERNATIVO passou a integrar a ONG ComCausa.

O Alternativo - ComCausa, afim de criar um canal de comunicação social cidadã, pretende desmistificar uma série de temas, sendo uma espécie de indicador de uma visão ética para obter resultados qualitativos e quantitativos, mostrando a importância dos jovens enquanto protagonistas deste país, propondo potencializar seu poder de mobilização para a transformação de suas vidas e da sociedade; respeitando a singularidade e a pluralidade, trabalhando a cultura local e o universo temático desta comunidade; querendo possibilitar a estes jovens o acesso a meios e a conhecimentos que desenvolvam plenamente seu potencial, ampliando sua sensibilidade e seus horizontes.

Assim, esperamos que gostem da nova linha editorial. Estamos abertos a sugestões e participações em nossa página.

O mais, desejamos a todos um grande 2007, cheio de compromissos e realizações.

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Notas e Reflexões

> Por Adriano Dias


Fala que eu te escuto
Apenas nove famílias controlam os grandes meios de comunicação do Brasil. Com este poder todo de influência na mão de poucos existe alguma dúvida que estes servem a interesses privados em detrimento aos interesses da sociedade? Só alguns sobrenomes: Marinho, Sarney, Collor...
Enquanto elas falam o que querem e como querem, 170 milhões de pessoas escutam. Esse controle sobre as informações constrói valores, não reflete a diversidade do país e influencia diretamente a formação da opinião pública.
Mais uma vitória dos transgênicos
Contrariando os principais movimentos ambientalistas e sociais do mundo o presidente Lula assinou, a Medida Provisória 327/06 para reduzir a distância mínima que separa as áreas de plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs) das unidades de conservação (UCs), a chamada “zona de amortecimento”. De acordo com a nova MP, a distância mínima dentro da zona de amortecimento das UCs passa a ser determinada caso-a-caso para cada uma das variedades transgênicas, por meio de decreto presidencial.

Escândalos no Governo motivaram noticiário sobre corrupção
Segundo Cláudio Abramo, diretor-executivo da Ong Transparência Brasil, a queda do Brasil no ranking de corrupção mundial - que avalia a percepção das pessoas sobre um determinado país - é reflexo da grande cobertura da imprensa internacional sobre os escândalos do governo Lula.
“Os recentes episódios de corrupção no Brasil tiveram destaque não apenas na mídia nacional, mas em vários países do mundo. E foram divulgados pelos maiores jornais e redes de TV. Essa exposição acaba ajudando as pessoas a formarem sua opinião sobre o Brasil. Nesse caso, para o lado negativo”, diz Abramo.

Nova Iguaçu lidera triste ranking
O seqüestro de um ônibus por um ex-marido ciumento trousse a tona um dado estatístico triste: segundo estudo do Instituto de Pesquisa de Segurança Pública (ISP), Nova Iguaçu lidera o ranking de violência contra a mulher no Estado - seguido de São Gonçalo e bairros do subúrbio da capital. Os principais crimes registrados são lesão corporal, atentado violento ao pudor e estupro. O estudo, que tem como referência o ano de 2005, afirma que a maioria das vítimas é solteira, branca e têm entre 18 e 34 anos de idade.

Pelos direitos dos portadores de deficiência
O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade) encaminhou moção de apoio ao Ministério Público de São Paulo que recorreu de uma decisão judicial de Ribeirão Preto que dava à operadora de planos de saúde Unishosp o direito de recusar como cliente um bebê portador da Síndrome de Down. Para o Conade, a lei é clara: é vedada qualquer tipo de impedimento de adesão ou inclusão de pessoas portadoras de deficiência a serviços não só em planos de saúde. O importante nesta ação do MP é que sirva de exemplo para outros planos que, por acaso, pensem ou até adotem estas mesmas medidas.

Relatório aponta avanços no PIDESC
O II Relatório periódico do Estado brasileiro relativo ao cumprimento do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) mostra que os direitos contemplados no Pacto Internacional, analisados no período de 2001 a 2006, apresentam progressividade no país, o que comprova a adoção de medidas por parte do Estado brasileiro para efetivação destes direitos. O documento foi discutido em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Na política: Feliz ano Velho
Muito leva a crer que o Governo Federal operará com a mesma política assistencial que visa manter os currais, tanto com a população mais pobre, quanto com a cooptação de aliados na lógica venal da distribuição dos cargos.
No Congresso Nacional aumentou o número de parlamentares eleitos com o uso da máquina pública de municípios e estados; de lobistas milionários hábeis em usar seus mandatos para extorquir empresas, e os tradicionais deputados que construíram sua história política alicerçados no controle da miséria da população a partir de ações paternalistas.
No Governo do Estado do Rio temos uma grande chance do continuísmo da “política menor” promovida pelo casal Garotinho, somado agora aos grupos que controlariam os “esquemas” da ALERJ – em tese, a turma da “caixinha dos ônibus” teria definitivamente chegado ao executivo?
E por falar em Assembléia Legislativa... a bancada da bala, da mineira, da milícia, seja lá o nome que for, aumentou o seu espaço; os “centros sociais de época de eleição” elegeram novamente um bando de deputados que chegam perguntando: “como se faz para ganhar dinheiro aqui?” E a cúpula da “parada errada” parece que vai continuar firme, e mais fortes, com as garras profundamente fincadas dentro da máquina do Estado.
Nos governos municipais da Baixada parece que estamos presos em um quadro de representantes dos grupos de extermínio; corruptos que se escondem sob o discurso evangélico; incompetência, inoperância, projetos personalíssimos de poder e corrupção difusa.
Diante deste quadro o desejo para o ano de 2007 é que a população se organize e reaja, que surjam pessoas novas, com bons sentimentos, solidariedade, vontade e compromisso com a sociedade, para que possamos nos próximos anos, na política, termos realmente um ano novo.

Criada para auxiliar e orientar vítimas de violência doméstica, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 passará a atender também casos de discriminação racial e de orientação sexual.

“O que mais querem os pobres é dignidade. Isso significa emprego, moradia, escola, saúde. Sentir que, de alguma forma, o governo se preocupa com eles. A questão agora é como o governo agirá com aqueles que o elegeram” - Frei Betto

Temos que admitir que a reeleição de Lula foi uma derrota para a grande mídia, apesar de todo o fogo cerrado, a “máquina estatal venceu o medo”.

 

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MovimentAção

Movimento Social promove ato pela paz
No dia 22 de dezembro de 2006, entidades integrantes do FÓRUM REAGE BAIXADA - conjunto de organizações da sociedade civil dos 13 municípios da Baixada - realizou um Ato Pela Paz com uma cerimônia ecumênica, exposição fotográfica ao ar livre “Moro na Favela” retratando o cotidiano das favelas e periferias e exposição dos painéis da Dor, da Vergonha e da Esperança (foto ao lado); e shows de hip hop, apresentações de teatro e música. Os participantes relembraram os mortos nas Chacinas da Baixada, do Rio e pediram por dias melhores. (Adriano Dias)

Fórum Reage Baixada
Criado a partir de um movimento de reação imediata de entidades frente à Chacina da Baixada ocorrida em 31 de março de 2005. Observou-se nos debates realizados no Fórum que infelizmente muitos outros assassinatos ocorrem diariamente e que era necessário, portanto, a compreensão de que existe uma cultura de morte e um quadro estruturado e provocador da violência que contextualiza toda essa realidade.
Assim o Reage Baixada defende como princípio que a violência como a conhecemos só pode ser resolvida através da realização do desenvolvimento econômico-social, do fim das diferentes formas de impunidade-corrupção e também por uma educação que promova a cultura de paz. E isso só vai ser conseguido através da mobilização, formulação e articulação junto a população e aos poderes responsáveis projetos de políticas públicas de qualidade capazes de proporcionar a verdadeira mudança na qualidade de vida das pessoas.
O Fórum estará organizando uma série de ações para 2007 e você pode fazer parte dessa história. Os interessados em participar devem procurar o Centro de Direitos Humanos. Onde periodicamente os membros se reúnem.
Entidades do Reage Baixada: Diocese de Nova Iguaçu - Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu - Centro Sócio Político da Diocese de Nova Iguaçu - NASP - Escola de Serviço Social / UFRJ - Associação Triângulo Rosa - SETOR BF - Setor Baixada Fluminense – Afaviv - SOS Queimados – Fase - Viva Rio – Profec - Periferia Brasil – ComCausa.
(Adriano Dias)

Café Filosófico
O Café Filosófico é um projeto que tem gerado debates calorosos em três cidades, Nova Iguaçu, São João de Meriti e Mesquita. São temas acerca de cultura, arte, tecnologia, gênero e outros com o objetivo de estimular a reflexão crítica e a liberdade de expressão. Apesar da proposta aparentemente densa o Café promove performances artísticas antes dos debates em ambientes informais como bares e tem atraído o público jovem envolvidos ou não com organização civil e que tem afinidade com as temáticas propostas. Todas as edições do projeto contaram com um grande número de participantes.
Inicialmente promovido pela FASE, Federação de Órgãos para Assistência Social e Educação, e com o apoio do Instituto Rosa Luxemburgo, no ano de 2006 a agenda foi construída também pela Rede de Grupos Artísticos e Culturais da Baixada Fluminense. Foram abordados temas contemporâneos como “Literatura Marginal” e “Novas tecnologias e percepções”, que contaram com facilitadores tanto especialistas como a socióloga Tatiana Dahmer quanto participantes de grupos de jovens organizados, como a Pastoral da Juventude, artistas como Felipe, vocalista da banda Confronto, o ator Chico Diaz, e Garnizé, baterista da banda FURTO e jovens como o aluno do projeto Telecentro Aloísio Dias, que teve contato com a informática aos 49 anos e falou sobre tecnologia.
Em Mesquita acontece no Bar do Rochinha, em Nova Iguaçu no Bar Raízes e em São João na ABM - Conselho Popular de uma forma itinerante. Recentemente o projeto foi premiado como um dos 100 melhores no Premio Cultura Viva, concedido pelo Ministério da Cultura e continua em 2007 descobrindo novas e eficazes formas de diálogo a fim de promover e avançar com o debate e a troca de idéias.
(Giordana Moreira)

Selo Carioca mantêm vivo o Progressivo
A Rock Symphony surgiu em outubro de 1997 como produtora cultural voltada para o segmento do rock progressivo. Pode-se dizer que sua pré-história esteja nas páginas da “Enciclopédia do Rock Progressivo”, livro publicado em 1995 pelo jornalista Leonardo Nahoum, fundador e presidente da produtora. A idéia é promover a diversidade do cenário musical brasileiro e mundial, que não tem espaço na grandes redes de mídia.
Hoje Rock Symphony lança CDs de artistas contemporâneos e consagrados desse estilo que tem entre seus maiores expoentes nomes como Pink Floyd, Genesis, Yes, Renaissance, O Terço e Sagrado Coração da Terra, entre outros. Figuram entre os grupos divulgados tanto bandas nacionais - como a carioca Tempus Fugit - quanto ‘obscuros’ mas não menos impressionantes grupos estrangeiros como os suecos Flower Kings. Além disso, a Rock Symphony atua também na produção de eventos, realizando o Rio ArtRock Festival, maior evento sul-americano dedicado ao rock progressivo, que desde 1996 traz verdadeiras lendas aos palcos do Rio.
Além destas atividades, uma das grandes forças por trás da Rock Symphony é a ARPRO - Associação do Rock Progressivo - criada em 1998, que conta com centenas de participantes e atualmente co-edita a revista Musical Box.
(Adriano Dias)

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Fazendo Arte

Robson Luy
Ator, cantor, performance, designer gráfico, militante, cenógrafo formado pela UFRJ e gente boa, Robson Luy participou do grupo Coral Grafado - de onde saíram também Sérgio Loroza, do Monobloco, e Guta Menezes da banda do Altas Horas. Robson também foi um dos fundadores do grupo de teatro Agito Cultural.
Atuou no espetáculo itinerante da Paixão de Cristo pelas ruas de Nova Iguaçu, em peças e musicais nos teatros do Rio. Fez ainda dois curtas-metragens de cinema universitário – onde viveu um italiano destrambelhado - ao lado de Daniela Fischer e Tatiana Monteiro no “O Homem que Sabia de Menos”, que concorreu num festival de curtas em Miami, em 2003.
Mas um dos grandes destaque é seu personagem Silvio Silvestre, um “showman” do programa fictício Karaokê Showcante, que canta na noite e anima greves e piquetes de servidores públicos. Uma mistura de apresentadores populares, artista bregas e arroubos “cult” da nossa MPB, ao longo destes anos, que eu me lembre desde 1993 no lendário Daniel´s Bar. O Talento de Robson arrebata admiradores e amigos. Contato: 21 9354 8583. luy@3graf.com.br
(Adriano Dias)

Kapella
Kapella é, atualmente, o maior destaque da Baixada Fluminense quando se fala de rap. Lançando o independente “Castelo dos Loucos”, um CD de boas bases, boas rimas e o que há no Rap fluminense - e por que não dizer, Nacional.
O rapper, e também produtor, já participou das coletâneas “Universo Hip Hop” 1999, “Efeito Cufa, ação e reação” de 2001, “288 - DJ Criolo” 2003 e “DJ Boneco convida” vinil lançado em 2005, e vem continuando a estrada percorrendo o Rio e Vitória - ES, onde faz parte do cenário musical e produziu alguns grupos, também apresenta o programa “Quinta feira negra” na Radio Juventude FM.
De um estúdio caseiro em Mesquita, Kapella consegue retratar todo o inconformismo de uma região carente como é a Baixada, assim como, a alegria que existem nas coisas simples da sua cidade. Destaque para “Meu ritmo é favela” e da funkeada “Dança e bombardeio” e a faixa título do cd “Castelo dos Loucos”, em que o clipe pode ser acessado no Youtube.
Recentemente indicado ao Premio Hutuz de melhor demo, Kapella além de se apresentar pelo circuito acompanhado de backs e DJ mantém um trabalho acústico onde toca violão acompanhado por berimbau, chocalho, agogô, pau de chuva e mais dois violões, em um trabalho inédito no rap, mostrando toda uma versatilidade criada na Baixada e representando o autêntico rap nacional.
(Adriano Dias)

Cia. de Teatro Cochicho na Cochia
O início se deu com a vontade de 3 jovens: a estudante de jornalismo e atriz Michele Machado – hoje não mais na Cia. - dos atores e produtores Thaissa Vasconcellos e Renato Penco. No início trabalhavam exclusivamente com Projeto Teatro na Escola, apresentando-se com os espetáculos: a “Verdadeira História da D. Baratinha”, em 2002, e “A Revolta dos Brinquedos”, em 2003. Cenário, figurinos e brindes eram levados debaixo dos braços, em ônibus cheio e com pouco dinheiro das vendas dos ingressos.
Com muito trabalho nestes 4 anos, o Cochicho na Coxia produziu espetáculos como “Mudando o Cenário” que através de esquetes cômicos, apresenta exemplos de bom e mau atendimento aos pacientes - tendo como objetivo reestruturar o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde de Mesquita. “Coleta em Cena”, em parceria com a ONG Belga Autre Terre, projeto que busca sensibilizar a população de Mesquita sobre a importância da separação do lixo; entre outras ações. A companhia também formou seu Elenco Mirim e se prepara para a montagem do Espetáculo “O Mistério da Feiurinha” de Pedro Bandeira, em cartaz no presente momento pelos Teatros da Baixada.
Para 2007, o Cochicho na Coxia dará continuidade ao Grupo de Estudos Teatrais que reúne jovens e adultos com idade mínima de 16 anos, para estudos das técnicas e história do teatro. A interpretação e suas diversas linguagens serão apresentadas no Espetáculo Experimental “FRAGMENTOS”.
Contato: (21) 8863 8934 / (21) 8725-0271 - Rua: Elpídio 591 Centro Mesquita - Cep: 26235-110 ciateatralcochichonacoxia@click21.com.br
(Adriano Dias)

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Estante

“2001 Uma odisséia Brasileira” (Vídeo) de Mariana Vitarreli
A virada do século no Brasil é registrada no documentário ‘2001: uma odisséia à brasileira’ através de entrevistas com anônimos e reconhecidos. Uma vídeo-reportagem com argumento, produção, câmera, reportagens e edição da jornalista Mariana Vitarelli, sem equipe ou patrocínio passo-a-passo como as parcelas de sua VHS.
O filme rodado durante o início do século XXI no Brasil foi lançado dia 28 de novembro na ABI - Associação Brasileira de Imprensa -, reuniu pensadores, formadores de opinião e artistas contemporâneos entorno de uma discussão sem fim, mas não sem conclusão. Depoimentos de gente como o cartunista Ziraldo, o repentista João da Viola, o ex-técnico da seleção brasileira Zagallo, presidiários, a aposentada Dona Juscelina, o apresentador Ratinho, o skatista Alessandro, integrantes de uma ocupação, o prefeito do Rio César Maia, a cozinheira Lourdes, a estudante Joana, o Ministro da Cultura Gilberto Gil, a retirante Marialva, transeuntes, o ator e diretor Hugo Carvana, a prostituta Cristina, e muitos outros expressando sua visão sobre o Brasil, durante o governo FHC e o 11 de setembro nos EUA, e ainda suas expectativas para esta transição histórica.
Quem quiser pode solicitar um DVD - disponível em português, espanhol e inglês - pelo correio: quintomundo@gmail.com ou pelo tel. 8233-5860.
O trailer está disponível no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=ue6sg6ofRuM
Blog: http://2001umaodisseia.blogspot.com Site: www.scullerbrasil.com/2001
(Giordana Moreira)

Dialeto Sonoro (demo)
Lançado pelo selo In – Bolada Records, esta coletânea traz o melhor do Rap da Zona Norte, Leste, Oeste e Sul de Recife. O In - Bolada Records se difere de outros pelo fato de não apenas lançar discos e sim ensinar a todos os envolvidos todo o processo de criação, produção e finalização de um cd, de forma auto sustentável criando uma grande Cooperativa do Rap. Destaque para as faixas “Geografia do subúrbio” do grupo APS, “Fica na limpeza” Costa a Costa, “Cantarolando” com o grupo feminino Donas e “Quase triste” com Inquilinus. (DN) Inf: www.exitodrua.org.br
(Negrone)

Digitaldubs (CD) - Apresenta Brasil Riddims
Além das discotecagens, o Digitaldubs tem um intenso trabalho de produção musical em seu próprio estúdio, o Muzambinho. Um dos frutos dessas experimentações é o CD “Digitaldubs Apresenta Brasil Riddims volume 1” (selo Muzamba, Independente). Contrariando as expectativas, esse não é um disco de “dub” e sim, uma coletânea com músicas cantadas por vários artistas, todas produzidas pelo Digitaldubs nos últimos dois anos. É basicamente reggae, “da raiz até as folhas”. Algumas faixas seguem mais a onda do roots, outras se aproximam do ragga, e mesmo se encaixando em todas essas definições, Brasil Riddims traz a personalidade única da música feita no Brasil.
O álbum se baseia na cultura dos “riddims”, uma prática muito comum no particular mundo do reggae: uma mesma base instrumental pode ser usada por vários cantores ou MCs, onde cada um coloca sua letra e sua melodia, criando assim uma nova canção . Detalhes preciosos na edição e mixagem dão um toque a mais.
Cantando sobre um riddim, Biguli vem com “O Arrego”, Mr. Catra, “Lucro”, Jimmy Luv fala do “Bonde Sinistro” e B negão defende “Sorriso Aberto” - todos com o mesmo instrumental (Curimba Riddim), fazendo diferentes músicas, com concepções distintas. Ao todo 15 faixas divididas em oito riddims.
(Adriano Dias)

Ratos de Porão (CD) - Homem Inimigo do Homem
Em 1983, ou 84 não tenho certeza, quando um amigo me gravou – de fita para fita – uma K7 BASF re-re-re-gravada com o LP “Crucificados pelo Sistema” minha visão de adolescente sobre o mundo não seria a mesma... E depois vieram as “diretas já”, o Sarney, a Constituinte, o Collor, não tinha mais volta.
Mais de vinte anos se passaram, os shows punks não terminam mais com o Choque da PM entrando e espancando todo mundo. O punk hoje é outro, letras meladas, refrões grudentos e a garra substituída pela pasteurização. Mas é legítimo, é outro momento.
Porém o Ratos de Porão mantiveram a filosofia, com 25 anos de estrada, vários discos e experimentos musicais - que foram do metal ao punk -, eles lançam “Homem Inimigo do Homem”, sujo, agressivo, com letras politizadas. Repetem – no bom sentido - a fórmula crossover que os consagrou.
Destaque fica para “Expresso da Escravidão” que fala sobre o trabalho escravo numa das melhores letras, e gerou um clip muito bom com cenas que foram tiradas do documentário sobre o trabalho escravo no Tocantins, mas algumas imagens pertenciam a Rede Globo e praticamente não passa mais na televisão; “Pedofilia Santa” fala sobre a tentativa de alguns setores da igreja esconder a “sanha de alguns membros”; “Covardia de Plantão” critica a violência gratuita entre gangues de rua e torcidas de futebol, esta também gerou um clip que já foi censurado – é isso ainda existe – feito por Fernando Rick da BLACK VOMIT, especialista em filmes de horror B. Mas o grande destaque mesmo ficou para “Quem te Viu...” Luís, agora está embriago pelo poder !!! / Nem se lembra mais das promessas que fez / Velhos ideais ficaram para trás / Luiz olha só pra você / Quem te viu, quem te vê / Amigo de empressários e banqueiros / Que fazem qualquer coisa por dinheiro / Cercado de um monte de ladrão / Você é só mais um pelego” é revolta em plenos pulmões de quem acreditou na farsa que se tranformou o PT.
O mais, a novidade deste disco ficou para novo baixista Paulo Sangiorgio (do Discarga), veterano da cena hardcore paulista. E pelo incidente da gravação: o produtor Billy Anderson (Melvins, Eyehategod), que já havia trabalhado nos discos “Carniceria Tropical” (97) e “Sistemados Pelo Crucifa” - simplesmente sumiu sem dar maiores satisfações... A alternativa foi apelar aos amigos Bernardo Pacheco e Daniel “Ganjaman”, que cuidaram da produção. Para quem ainda acredita em velhos sons e ideais.
(Adriano Dias)

Angra (CD) - Aurora Consurgens
Com Temática baseada no livro homônimo - uma obra envolta em aura de mistério - o novo disco do Angra, traz uma banda mais ousada em termos musicais já que a atmosfera do novo trabalho mostra alguns detalhes até então inéditos na carreira da banda. O som está mais pesado e moderno, porém sem abrir mão daquelas características que a consagraram: passagens acústicas, arranjos orquestrais, percussão e influências de música brasileira.
(Adriano Dias)

 

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Expediente:

Este informativo é um projeto da ComCausa

Organização Não-Governamental da Sociedade Civil - CNPJ 05.857.379 / 0001-74

Programação visual e diagramação: Adriano Dias (ComCausa) Tiragem: 10 mil

Periodicidade: Mensal - Ano X - Edição número: 190 - janeiro de 2007

Conselho editorial: Adriano Dias - Giordana Moreira - Lene de Oliveira - Don Negrone

Fotos: Acervo ComCausa.

A realização desta edição do projeto de nosso jornal só foi possível com o trabalho voluntário e contribuição financeira de vários colaboradores da ComCausa. Fica aqui um agradecimento especial para estes.

As opiniões emitidas são de responsabilidade de seus autores.

Todos os textos aqui contidos podem ser reproduzidos, desde que seja citado(a) o(a) autor(a) e a fonte.

 

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