Jornal ComCausa 20

 

 

ComCausa - Jornal 20

Fevereiro de 2007

 

> Entrevista: Luiz Eduardo Soares

> Artigo: A quem interessa a visão equivocada dos direitos humanos

> Cineclubes na Baixada Fluminense

> Movimento por lona Multicultural em Mesquita

 

 

 

| Edições anteriores | Opine sobre esta edição

Editorial Notas & Reflexões MovimentAção Fazendo Arte Estante

_____________________________________________________________________________________^

 

 

 

Entrevista Luiz Eduardo Soares

> Por Adriano Dias e Lene Oliveira

Versão Resumida > Clique aqui e leia esta entrevista completa

Em 2000, o então coordenador de Segurança, Justiça, Defesa Civil e Cidadania do Estado, Luiz Eduardo Soares, leva ao público a “existência da banda podre da polícia Carioca”. Devido ao encaminhamento dado pelo então Governador Garotinho, Luiz Eduardo sai do país e torna-se professor convidado na Universidade de Columbia e pesquisador no Vera Institute of Justice, de Nova York.

Esse foi um dos movimentos que mais chamaram a atenção para o antropólogo, cientista social, escritor e professor. Um intelectual de fala e gestos professorais que ousou discutir o espinhoso tema de políticas de segurança pública no Brasil. Doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio. Pós-doutorado em Filosofia Política pelas Universidades de Virginia e Pittsburgh. E coordenador da Pós-Graduação em Ciências Sociais da Uerj. Luiz Eduardo agora enfrenta outro desafio: consolidar em uma das regiões do país que mais desrespeitam os direitos humanos a Secretaria de Valorização da Vida e Prevenção da Violência.


Indiferente às altas taxas de homicídio observadas na Baixada, o efetivo policial militar é de cerca de 1 para 1.200 habitantes, enquanto na Zona Sul é de 1 para 300 moradores. Existe somente uma delegacia de homicídios para quase quatro milhões de habitantes. Não contribuiria para diminuir os níveis de impunidade se houvesse maior apoio do Estado?
Há uma defasagem entre a distribuição de efetivo das polícias e as necessidades de segurança pública democrática. Existe um grande efetivo na zona sul o qual atende às classes mais privilegiadas, mais visadas pela mídia. Portanto, atende mais os interesse políticos que os da população. Então, hoje temos em torno de 45 mil policiais, cerca de 10 mil civis e 35 mil militares. Aproximadamente 1 policial para cada 400 habitantes em todo o estado. Na zona sul há uma concentração, aqui na Baixada há relaxamentos. É uma questão de orientação política.
É como o delegado Hélio Luz afirma: é a “policia da elite”...
Ela é da elite, para a elite, na distribuição e não ação. Na abordagem, dependendo da área da cidade, da cor da pele, da qualidade da roupa, o tratamento será diferenciado.
Devido às evidências de envolvimento de policiais em chacinas e grupos de extermínio na Baixada, a população começou a ter um sentimento dúbio: a presença da polícia é tida como uma necessidade, mas também com preocupação. Como mudar o olhar do cidadão sobre a sua polícia e vice-versa?
Conheço áreas as quais sofrem freqüentes incursões com brutalidade por parte da polícia. E quando estas áreas se pronunciam, fica muito evidente que a população detesta o crime, já que é óbvio e natural, que todos preferem uma situação harmoniosa e tranqüila. Sendo assim, quando a polícia atua de forma conseqüente e respeitosa, seus profissionais são muito respeitados e estimados, a população se sente muito valorizada e grata por isso, por mais que seja um dever do estado.
Conseqüentemente, a população gosta do policial e sente-se protegida nos termos legais, lembram que são cidadãos. Colaboram, criam parceira mesmo; a boa polícia é querida e valorizada
Para os jovens da Baixada, em uma situação diferenciada da Capital, o tráfico ainda não se constituiu quanto “política de trabalho” – predomina assim, o ócio que conduz a outras situações de risco. A secretaria planeja desenvolver ações com foco nas demandas específicas da juventude na região?
O problema da violência ou da participação na violência enquanto perpetrador envolve todas as áreas da vida em sociedade – economia, acesso à renda e ao emprego, à educação, escolaridade, evasão, capacidade humana da escola de atrair e manter, questões familiares e psicológicas, dependência química...
Quais as perspectivas de uma política sistêmica em Nova Iguaçu?
O que temos hoje para ancorar uma política sistêmica é o Bairro-Escola – a qual cria consistência e universaliza-se este ano. Buscando os programas sociais, os quais hoje são cestas variadas no atendimento diverso. Sistematizar, organizar e articular tudo isso, e oferecer aos jovens mais vulneráveis oportunidades de valorização e de reconhecimento. O retorno à escola e o acesso futuro ao emprego é fundamental, mas se esse jovem não se reconhecer como ser humano, dotado de valores, não se sentir amado, querido, respeitado, não podendo amar-se, a partir dessa experiência de afeto e reconhecimento, não se consegue trazê-lo para a sociabilidade construtiva.
Então, estaríamos falando de políticas de valorização que objetivam, entre outras coisas, fazer o jovem amar-se?
Se eu não tivesse a minha idade e os livros que escrevi eu nunca ousaria falar disso. Acho que hoje ninguém diria: o Luiz Eduardo é um idiota completo. Pelo menos, idiota completo eu não sou! Mas, poderiam dizer: o Luiz Eduardo é um romântico que está ficando velho e se perdeu na ingenuidade e romantismo. Mas, eu acho que tenho algum crédito para ousar e posso dizer que o amor e o afeto jogam um papel fundamental, mesmo correndo o risco de ser mal interpretado como ingênuo. Então como é que você oferece a este jovem que está em uma crise de falta de amor, sentindo-se rejeitado pelos seus semelhantes? - O que se pode oferecer a ele é seu alimento fundamental, o amor para que lutem pelos outros todos. É muito difícil, pois só a família, as relações muito pessoais podem proporcionar isso.
Como o Poder Público Municipal pode oferecer condições que facilitem esta experiência de reconhecimento e valorização?
Através da cultura, a grande experiência que faculta isso. É na criação, na expressão, tornando o indivíduo capaz de encontrar o olhar do outro atento, reverente, o mérito, o seu valor reconhecido. Então, a proposta é chegar ao fundo desta sociedade perdida no ócio, neste vazio que vocês diziam, com a oportunidade da criação, da valorização, isto não é tão difícil. Não custa tão caro. Não exige ourivesarias, exige delicadeza.
Segundo alguns estudos, Nova Iguaçu lidera o ranking de violência contra a mulher. Como a secretaria pretende atuar sobre esta questão?
A construção da masculinidade é a construção da violência e vice-versa. Como se explica que 95% dos crimes letais do mundo são executados por homens? As mulheres também cometem crimes, mas 95%! Esta questão é chave. Não tem como nós tratarmos a violência sem tratarmos a desestruturação da masculinidade como agressividade. Este é um ponto que vamos focar com a garotada em nossos programas.
Como foi seu convite para atuar na Baixada?
O Prefeito de Nova Iguaçu me convidou para contribuir trazendo alguns programas que pudessem atingir jovens que não são alvos do Bairro-Escola, porque estão além do alcance do Ensino Fundamental. E são os mais vulneráveis à violência.
Diferente da capital, onde o problema da violência está muito ligado ao tráfico de drogas e tornou-se difusa, a Baixada Fluminense sofre uma violência que parece legitimar a política de zona de exclusão e o preconceito regional. Quais são os planos da secretaria para enfrentar este problema?
Na verdade não há aí um problema, há uma constelação de problemas que vocês articularam muito bem. Essa é uma tarefa multidimensional, intersetorial. E, portanto, uma tarefa posta como um desafio para o poder público, não só para prefeitura de Nova Iguaçu, mas para os poderes: Estadual e até da União. Alguns aspectos são constitutivos e estruturantes: as desigualdades as quais remetem para um âmbito bem mais amplo, inscrevendo a Baixada num sistema de desigualdades pelo qual ela paga um preço. Assim, a realidade é o nosso tema nacional. Eu diria que o que podemos fazer na área muito específica da Secretaria de Valorização da Vida e Prevenção da Violência é reduzir danos e salvar algumas vidas e contribuir para a redução do genocídio, em curso em todo o nosso país. O que nós pudermos fazer nessa direção eu acho que será já relevante.
O novo governador solicitou a Força Nacional de Segurança com o objetivo frear a violência do Estado. Você acredita que este movimento é adequado? O Rio precisa de mais força policial?
Precisa de mais força policial, é um movimento adequado, mas não contempla as necessidades. Até porque a concepção de Força Nacional foi formulada quando eu estava na Secretaria Nacional [de Segurança]. Ela tinha uma outra característica. Era para ser uma força de investigação do crime organizado a partir das PRÓPRIAS polícias. Seria um grupo de quinhentas ou seiscentas pessoas selecionadas em todo Brasil. Isto porque nós não teríamos tempo de formar outra polícia - dando uma resposta rápida como a situação exige. Teríamos que fazer esta seleção nacional contando com policiais já experientes, maduros e testados. Contaríamos com um grupo de investigação que trabalharia uns três anos em Brasília com equipamento de ponta. Com todos os instrumentos de proteção a si, e às suas famílias, para que nós enfrentássemos este problema da criminalidade.
Infelizmente a idéia da Força Nacional foi alterada e nós temos uma “Guarda Nacional”. Virou um efetivo de patrulhamento ostensivo, mas por mais que sejam pessoas sérias e bem treinadas, não cumprem exatamente a proposta inicial.
Você elaborou – junto com um grupo de estudos – um plano nacional de segurança denominado SUSP. Como ele funcionaria?
A transferência para os estados da autoridade do modelo de polícia que se deseja ter, definiria em sua constituição estadual que o melhor é ter 50 pequenas polícias nos municípios, ou então 3 polícias em regiões maiores, por exemplo. Todos se completam, unificadas, com uma formação específica. A idéia é discutir com a população para ver qual modelo é melhor. Eu tenho certeza que a imensa maioria vai aprovar mudanças drásticas.
O outro meio é normalização do Sistema Único de Segurança Pública. Todas as polícias teriam que respeitar princípios únicos em áreas chaves: da formação, da informação, gestão, perícia, controle externo e prevenção. Não são camisas-de-força, são exigências mínimas. De tal maneira, poderíamos ter uma explosão de tipos de polícia: um estado poderia ter, como nos Estados Unidos, polícias distritais; mas todas elas deverão ter controle externo independente, com poder de investigação, transparência, uma gestão baseada em avaliação e monitoramento, formação padronizada nacional – ainda que com variações – com ciclo básico comuns; perícia valorizada com independência; articulação com trabalho preventivo valorizado. E os fundos que houver, vão alimentar as instituições que respeitem estas normas.
Porque esta discussão não apareceu em outro momento histórico?
Porque nós demos murro em ponta de faca durante 20 anos, buscando formas nacionais alternativas. O Dr. Hélio Bicudo defendia a unificação das polícias, mas a reação que isto gerava era imensa, e em alguns estados, esta proposta não passa de jeito nenhum, pois não há viabilidade política hoje.
Então dar autonomia seria a melhor solução?
Sim, avança quem puder e quiser. Mas, infelizmente, o Governo Federal desistiu, o que me provocou grande tristeza e decepção. Já se tinha avançado bastante e o recuo foi uma consideração política menor - um pensamento do tipo: não vamos correr risco de nos desgastarmos com isso [violência], vamos deixar isto para os governadores. É muito lamentável.
Como funciona os Gabinetes de Gestão Integrada?
Hoje, nós temos no país um quadro de Políticas de Segurança muito fragmentado e o Gabinete é um braço operacional que começa na prática a redesenhar o caos atual, convertendo-o no prenúncio de um sistema integrado. É uma mesa de decisões coletivas e compartilhadas. Sem hierarquia todas as instituições se debruçam sobre às questões e tentam negociar um consenso de prioridades e metas.
O Governador Sérgio Cabral reativou o Gabinete de Gestão do Rio?
Parece-me que os governadores estão afinados com a nossa filosofia do Sistema Único de Segurança, pelos desdobramentos que temos visto. E eu quero levar ao Governador a proposta de criação de um Gabinete de Gestão Integrada Municipal em Nova Iguaçu, como experiência piloto nacional, para articularmos ações preventivas, junto aos trabalhos policiais, como maneira de obtermos das autoridades policiais o compromisso de certo tipo de postura aqui na Baixada.

Por que não existe uma política mais humana de segurança pública em nosso país?

As nossas instituições de segurança seguem os mesmos moldes da época da ditadura. Por conta de um casamento perverso entre direita e esquerda. A direita estava satisfeita com as polícias e a esquerda, por conta de um misto de ignorância, preconceito e trauma, achava este um tema maldito pertencente à direita. Era inclusive um tema de quem não tinha profundidade, porque falar de polícia, de segurança, seria falar de conseqüências. Então, nós da esquerda somos “pessoas sérias e profundas que pensam as grandes causas estruturais”. Assim, a esquerda cruzou os braços e deixou o tema com a direita e com os lobbys.

Nos últimos anos você lançou quatro livros, fale um pouco do propósito como foram pensados?
O “Elite da Tropa” aconteceu porque me parecia que as pessoas não têm dimensão real do que significa a brutalidade policial; a não ser quem sofre esta diretamente. Em algumas regiões de periferia, para os mais pobres, principalmente para os negros, porque é muito fácil quando a questão da violência policial é tratada como mais um assunto qualquer. Então o “Elite” é um esforço de realidade, de trazer para perto. Porque por mais que eu dissesse que este é um problema e mensurasse números, eu não iria sensibilizar ninguém.
É uma forma de contar as estórias de modo que possa sensibilizar?
A meta é dizer isso de maneira popular e mostrar que a desigualdade se manifesta da forma mais brutal. Mostrar estes números de institutos de pesquisas não estavam sensibilizando ninguém. E são números eloqüentes: em 2003, 1.195 mortes em ações policiais no Rio; 2004, 984 mortes; em 2005, 1.087; 2006, 520 só no primeiro semestre. Então vamos ter mais de mil de novo... 65% dos casos são sempre execução, não são confrontos...
Autos de resistência?
Exato. E se compararmos com Minas, aonde há mais de 6 milhões de habitantes tiveram 72 mortes em 2005; no Rio, 1.087; São Paulo, três vezes menos. Estados Unidos têm 250 milhões de habitantes, policiais muitas delas duras, se mata por ano, em média, 200 pessoas... O Rio tem uma das polícias mais letais do mundo!
Bem, o “Cabeça de Porco” é a questão da visibilidade, da impunidade, do reconhecimento e da valorização. Esta dimensão intersubjetiva sempre negligenciada quando falamos dos jovens envolvidos na violência. Tendemos sempre a observar só aspecto material, também importante, mas tentamos chamar atenção para este outro lado mais pessoal.
O “Legalidade Libertária” é uma reunião de estudos e propostas. E o “Segurança tem Saída”, é dizer que apesar do “Cabeça” e do “Elite”, dos problemas e das polícias, tem solução. Senão eu não estaria insistindo neste caminho. Claro que em longo prazo e com a junção de muitos esforços.
Depois de denunciar a chamada “banda podre” da polícia do Rio você se ausentou do Estado. Mais tarde, por não concordar com os rumos de uma política, que depois viria a público com episódios como o do “Valdomiro” e de “mensalão”, você se desligou da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Não te dá um sentimento de nadar contra a maré?
Não, eu tenho certeza! Estou frequentemente nadando contra a maré e sendo atropelado na contramão. É verdade! Mas eu acho que a minha experiência tem gerado algumas idéias, alguns valores e visões os quais têm desdobramentos independentes e importantes.
Então você percebe que há um confronto político e você é derrotado, mas o processo continua. Daqui a pouco você começa a ver que apesar da derrota política, ocorreram aspectos positivos ali que perduram, e em longo prazo talvez haja uma vitória.
Para finalizar. Qual é a sua Causa?
Contribuir para reduzir as desigualdades e preconceitos. E uma das manifestações mais graves da desigualdade no Brasil se dá no acesso à justiça. E a violência, sobretudo a violência letal, é uma expressão perversa das nossas desigualdades e nossos preconceitos. Então reduzir a violência de alguma maneira é uma causa. Uma causa para articular a realização de todas as outras.

_____________________________________________________________________________________^

 

Cineclubes na Baixada Fluminense

> Por Cineclubistas

A Baixada Fluminense sempre foi um berço cultural onde habitam artistas, dos mais diversos segmentos, os quais, há décadas, investem na difusão de seus trabalhos. No entanto, sempre esbarrando no preconceito da grande mídia, dificultando a comunicação de dentro para fora da periferia, levando muitas vezes a opinião pública a associar a região à uma condição diferente da obtida por quem é testemunha dentro dela.
Mais recentemente, vem acontecendo outra efervescência, mais um ato de resistência, na cena cultural da região: os cineclubes. Aproveitando o advento da tecnologia digital, os grupos se organizam e expõem em espaços abertos, filmes de curta-metragem dos mais diversos segmentos, sempre acompanhados de outras atividades culturais.
Um dos mais antigos é o “Mate Com Angu”, de Duque de Caxias, que desde 2002 vem funcionando muito bem, com exibições seguidas de música, com periodicidade mensal e exibição gratuita. O gupo também executou, em parceria com o Nós do Cinema e o Sesc de São João de Meriti, o projeto “Cinema com Batuque”, consagrando a fórmula que mistura exibição cinematográfica com musical.
O “Mate”, como é chamado pelos freqüentadores, é formado por agitadores e produtores como Pablo Cunha – produtor de diversos filmes, utilizando máquinas simples de fotografia, com destaque para “O Bêbado e o Lobisomem”, uma abordagem aos clássicos das lendas periféricas. E, Cacau Amaral – diretor do curta “1 Ano e 1 Dia”, que lhe rendeu três prêmios; inclusive, um internacional, “Melhor Que Um Poema” e atualmente dirige o documentário “Donana”.
Outra iniciativa é o “Cinema na Esquina”, fruto do trabalho de um grupo de amigos que se reuniam para fazer poesias numa varanda de Belford Roxo, e resolveram acrescentar curtas ao cardápio. Integrado principalmente por músicos e agitadores culturais da região, as exibições também são seguidas de música, com grupos como Caô de Raiz e Dida (Negril).
Além dos grupos de Caxias e Belford Roxo, são formados novos cineclubes a cada dia para inverter a situação de exclusão e sectarismo cultural da Baixada. Pablo Cunha, membro do “Mate”, fundou em Japeri o cineclube “Cine Guandu”; em Nova Iguaçu, acontece periodicamente o Cineclube “Buraco do Getúlio”, na rua em frente à passagem subterrânea da linha férrea da cidade. E em Mesquita, acontece o cineclube “Ankito”.
Em geral, essas iniciativas ocorrem sem muito incentivo, patrocínio ou apoio do poder público; segundo Cacau Amaral, o cineclubista tem que “rezar um pouco para que na próxima exibição o preço da xerox não aumente, para que não falte para pagar a prestação do aparelho de DVD que sempre trava na hora. Rezar para se ter saúde para testemunhar o quanto a cidade hoje está mais cultural que ontem. Não de uma cultura enlatada e entubada por aqueles que não vão lá ajeitar as cadeiras, e sim de uma cultura que resulta de ‘porradaria’ de um monte malucos e malucas que doam suas partes para esse caldeirão cultural.”
Cacau atribui ao público o combustível dessa mobilização: “É muito gratificante para um cineclubista depois de tamanho investimento, de fazer a curadoria, correr atrás de parcerias para aluguel de projetor, tela, divulgação, contatos, Dj’s, e por aí vai. É muito bom sentir a vibração causada pela reação a cada evento.” – afirma. “O público se transforma em cúmplice dessa correria. Sem ele não existiria cineclube e os cineclubistas ficariam reféns dos governos, que estão preocupados com outras modalidades de cultura, quando estão!... A cada exibição que você enxerga os rostos dos espectadores interagindo com a seqüência de filmes que você escolheu e correu atrás, da maneira que você imaginou que interagiriam, ou como nas maiorias das vezes, de maneira até mais frenética.” – Continua – “Essa interação é o que nos mantém conectados com a continuidade da coisa. É o carinha que no início não se preocupava com o barulho que ele fazia e não estava nem aí se incomodava o vizinho, e hoje é o primeiro a chegar ao evento e ajudar a posicionar as cadeiras, pois entende enquanto público, quais as necessidades que devem ser supridas, e se sente à vontade em intervir. Pois, sabe que os cineclubes são feitos por pessoas iguais a ele, simplesmente pessoas. Este é o prazer da realização. Assim como um cineasta se sente realizado quando vê seu filme na lata ou saindo da ilha, o cineclubista tem a mesma sensação quando o play é apertado. E, apertado fica seu coração enquanto não confirmar que o público sorriu e chorou diante da realidade quadrada da tela”.
O advento dos cineclubes reafirma a capacidade de reação da população diante da adversidade.

Alguns Contatos:
Buraco do Getúlio - Fabiano: 9250 1251 / 2668 4749 / 9508 6742 (BiOn!) / 952 74004 (Jimy!)
Cine Mate com Angu - Cacau Amaral: antonio.amaral@petrobras.com.br / Pablo 9926 9476 artitudepablo@yahoo.com.br

_____________________________________________________________________________________^

 

Movimento por lona Multicultural em Mesquita


> Por Ivan Machado

Esta se tornou uma das frases mais relevantes quando se discute a política de direitos, sobre tudo em se tratando de Baixada Fluminense, onde a classe política vive uma verdadeira ação de Defesa Civil, apagando fogueiras e realizando salvamentos emergenciais. É muito comum na Região, ver reproduzida na classe política a visão de progresso verbalizada pelo então Governador Marcelo Alencar, o qual anunciava “água, luz, esgoto e asfalto para desenvolvimento da Baixada Fluminense”.
A Baixada é extremamente carente de espaços públicos de lazer e de arte e isso saltam aos olhos de todos. Daí a necessidade do próprio seguimento de artistas e agentes culturais levantarem a bandeira de uma visibilidade da cultura local.
O grande desafio na verdade, está em não apenas ampliar a visão do Poder Público, tanto no sentido de o que é cultura, como também e antagonicamente quanto ao senso comum, de que deve haver a menor interferência possível. Isso pelo fato da existência de um equívoco muito grande ao achar que é o Governo quem deve oferecer cultura, enquanto a cidade se torna uma mera caixinha onde se depositam as simbólicas ofertas. A lógica é exatamente oposta. É a cidade a detentora de seu próprio patrimônio cultural, seja ele flutuante como seus artistas ou plantadas permanentemente em seu local de origem, como uma igreja, centro de Candomblé ou mesmo seus grupos folclóricos ou rezadeiras.
Em 1993, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, uma primeira iniciativa no sentido de mudar um pouco não o foco, mas a lente sobre a cultura local: quando criou-se a primeira Lona Cultural, possibilitando assim o acesso a entretenimento artístico a preços realmente populares. As outras estão em Anchieta, Bangu, Guadalupe, Nova Maré, Realengo, Santa Cruz e Vista Alegre. É claro que o número de lonas é muito aquém da demanda, por conta do tamanho da Cidade. Todavia, foi de fato uma janela aberta para provar que iniciativas nessa direção podem ser economicamente viáveis e relevantes para o crescimento, inclusive da renda local.
Em Mesquita, uma discussão específica no que diz respeito a um espaço de gestão local de cultura já está acontecendo. Desde janeiro deste ano, todas as quartas-feiras, acontece no Bar do Rochinha, uma roda de discussões, no sentido de viabilizar a implantação da Lona Cultural de Mesquita. A grande virtude desse encontro é que o fundamental já existe: a ONG Se Essa Rua Fosse Minha disponibilizou uma lona de circo a um Coletivo de Artistas, agentes culturais, produtores e pessoas ligadas ao marketing, dentre outros.
Na reunião do dia 31 de janeiro, foi possível ter uma idéia mais clara das possibilidades, quando o Secretário Municipal de Urbanismo, Fabio Bruno, traçou um panorama das obras nos locais colocados como prioritários para instalação da lona.
A Praça Brasil, no bairro da Coréia, ou o futuro Paço Municipal, no Centro, são os mais viáveis segundo ele, tendo em vista o tamanho da lona de circo que é bem maior que o das Lonas Culturais do Município do Rio.
Paralelo a isso, uma movimentação no sentido de criar uma rede de apoio está em andamento. A partir deste mês de fevereiro, será criado o Movimento Pró Lona. Uma campanha criada pelo coletivo, com vistas a levar à população um senso de propriedade, de modo a fazer da Lona Cultural Mesquita um marco na cidade por direitos, que nesse momento é o de acesso às artes e do conhecimento da própria cultura, da cultura local.
A ComCausa é uma das parceiras, juntamente com outras tantas entidades, pela efetivação deste que pode ser um marco do movimento popular cultural da Baixada Fluminense. Assim, a partir deste mês, através deste informativo e de um setor da página da instituição este movimento estará divulgando suas ações.

_____________________________________________________________________________________^

 

Editorial

> Por Adriano Dias

Em primeiro lugar, gostaríamos de agradecer a todos pelo reconhecimento. Retornarmos com o nosso informativo foi uma vitória para todos nós, ainda mais diante dos desafios superados.
Tocar corações e mentes dos chamados “formadores de opinião” para o conhecimento e reconhecimento da cultura e movimentos periféricos; acessar e envolver a juventude no intuito de ampliar as oportunidades de participação social resgatando a auto-estima e desenvolvendo potencialidades e; ainda ser instrumento dos movimentos sociais existentes para a consolidação dos diretos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, tendo como palco a Baixada Fluminense, pode parecer deveras pretensioso, mas não é impossível.
Outro desafio vencido foi a produção de nossa nova página na internet. Desenvolvida pela própria ComCausa, a nossa vontade é que o site seja mais um veículo dos movimentos e uma central de integração e informação. As novidades ficam para a área de notícias – a qual ganhará mais dinamismo a partir de abril: banco de textos de referência, teses, fichamentos, entre outros e, o espaço “Qual é a sua Causa”, onde colocaremos depoimentos de várias pessoas. O que também nos tem dado grande retorno é a versão eletrônica do nosso Jornal “ComCausa – Alternativo” – com a possibilidade do leitor dar sua opinião em contato eletrônico direto.
Mas, estes instrumentos de interlocução são apenas os alicerces de auxilio às ações planejadas para este ano. Ainda neste semestre, estaremos operando diretamente no fomento de ações em parceria com vários movimentos de comunidades da Baixada. Em paralelo, estaremos montando uma estrutura para monitoramento de políticas públicas em nossa região, visando auxiliar os governos municipais, a população e o Ministério Público para a maior lisura na execução dos recursos dos cidadãos. Além destes, estamos compondo a Secretaria Executiva do Fórum de Entidades Reage Baixada, ao qual pretendemos contribuir para dinamização do movimento.
Reconhecemos que a execução das metas estabelecidas é um grande desafio, mas não somente para nós da ComCausa, é para todos que comungam a mesma fé e trilham os mesmos caminhos. Por conta disso, estamos abertos à interlocução com todos e todas, é só entrar em contato conosco.

_____________________________________________________________________________________^

 

Notas e Reflexões

III Curso Livre de Teatro
Estão abertas as inscrições para o III Curso Livre de Teatro da Cia. Teatral Cochicho na Coxia. Serão abertas duas turmas: uma para crianças/adolescentes de 8 a 15 anos e uma para maiores de 15 anos. O curso tem duração de 3 meses e cada turma apresenta uma peça teatral, que será produzida pela Cia.
As inscrições para a seleção são gratuitas e vão até 1 de março, de 9h às 17h, através dos telefones: (21) 2697-8257 / 3066-0013 - Biblioteca Comunitária Oscar Romero, Rua Elpídeo, 530 - Centro – Mesquita. O curso custará a taxa única de R$ 60. A Cia disponibilizará quatro bolsas para alunos carentes. (Cia. Teatral Cochicho na Coxia / Biblioteca Comunitária Oscar Romero).

Privatização da Câmara Federal
De progressistas a conservadores, de moderados a radicais, de políticos tidos como honestos aos nem tanto. A lista que os repórteres César Felício e André Vieira fizeram cruzando os nomes dos eleitos para a Câmara dos Deputados com o financiamento de grandes empresas somou, oficialmente, R$ 16.287.359,00 para mais de 100 parlamentares de todos os partidos, com exceção do PSOL. A “bancada das empresas” ficou assim: Vale do Rio Doce 46 deputados; Itaú 31; Grupo Gerdau, 27; Klabin, 26; Camargo Correa, 25; OAS, 23; e Instituto Brasileiro de Siderurgia, 21.
O jornalista e doutor em História, Gilberto Maringoni, em artigo na revista Carta Maior, lembra ainda que “a maioria das agremiações foi contemplada nesse programa Bolsa-campanha”. A “bancada da Vale”, por exemplo, conta com 16 parlamentares eleitos, sendo 7 do PT; 5 do PSDB; 4 do PMDB; PFL e outros tantos do PTB, PSB, PPS, PL, PDT e PL. Até o PV, com Fernando Gabeira, amealhou R$ 150 mil da Klabin e do Instituto Brasileiro de Siderurgia.
Gilberto Maringoni fez uma sugestão irônica: “o candidato que mais recebeu de uma empresa, por exemplo, deixaria sua legenda e se candidataria pela CSN. Ou então, pela Vale do Rio Doce. Em troca, o eleito apareceria em apresentações públicas, recepções e eventos para a mídia devidamente paramentado como os corredores da Fórmula 1, com os logotipos de seus patrocinadores impressos no terno.”
Como disse o deputado Chico Alencar em discurso na Câmara, no qual este pequeno texto está baseado: “No Brasil de hoje, pobre ou cidadão de classe média pode até se candidatar, mas sem apoio dos ricos, raramente vai ganhar. O voto do milhão está matando o voto de opinião e a justa representação.” (Adriano Dias)

Assessoria Jurídica Gratuita do Centro de Direitos Humanos
A Assessoria Jurídica Gratuita do Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu está em novo endereço: Rua Dom Adriano Hipolito, nº 8 - Moquetá (ao lado do SESC) – Mais informações: 2768 3822 / 2767 1572. (CDDH/NI)

Lei cria Incentivo Fiscal e Fundo Municipal para a Cultura
O Conselho Municipal de Cultura de Nova Iguaçu está reunindo e digitalizando cópias de documentos, ofícios, minutas e, principalmente, a lei 3.817 de 03 de janeiro de 2007 (lei que cria Incentivo Fiscal e Fundo Municipal de Cultura). Tal lei precisa ser regulamentada no prazo de 90 dias após sua publicação, isso significa que o tempo é curtíssimo! Para tanto, é necessária a compreensão da importância da participação popular neste processo. Isto faz com que tenhamos na figura do secretário de cultura de Nova Iguaçu, Marcos de Lontra, um importante aliado e membro do COMCULT-NI. Essa aliança se materializa na discussão e formatação da minuta do Decreto Regulamentador desta lei. Pedimos que aguardem pois, muito em breve disponibilizaremos esses materiais à todos.
O Conselho também criou um endereço eletrônico comcult.ni@yahoo.com.br para divulgar suas ações e estabelecer contatos com pessoas, entidades culturais e outros conselhos municipais (de culturas ou não...), artistas, produtores, agentes comunitários, enfim... quem quiser ter informações sobre o COMCULT-NI, até porque, nosso papel é de militância cultural e isso demanda prestação de conta. (Conselho Municipal de Cultura Nova Iguaçu - por Marcos Serra)

Bayer cria transgênico para resistir a agrotóxico
A empresa está trazendo para o Brasil um tipo de milho que pode suportar, graças à alteração genética, um agrotóxico específico da Bayer. Não é informada a quantidade de resíduo de agrotóxico no milho transgênico, maior do que a do milho convencional. E o que é pior: segundo estudos científicos, ele pode provocar diarréias, nascimento de fetos prematuros e até aborto. Além de ser um risco para a saúde do ser humano, o milho transgênico ameaça outras espécies de milho, pois pode contaminar plantações convencionais e orgânicas inteiras. (Adriano Dias)

Cursos de extensão de Gestão de Organizações Sociais e Trabalho
A Faculdade Mackenzie Rio está com diversos cursos de extensão abertos. Destacam-se a variedade de cursos na área de Gestão de Organizações Sociais e Trabalho; a excelente qualificação dos educadores e os preços acessíveis. Maiores informações através do site www.moraesjunior.edu.br ou pelos telefones: (21) 2220 3380 / 2220 0679 / 2220 1427. (Núcleo de Gestão Social da Faculdade Mackenzie)

O Drama da Bolsa
- Estamos cansados de ver bolsa-isso, bolsa-aquilo - afirmou O bispo Dom Aldo, responsável pelas pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no final do ano passado. Os programas de transferência de renda tornam-se políticas compensatórias que, ‘’em curto espaço de tempo se demonstram inadequadas’’.
- ‘’Se plantar e não der, tudo bem, nos dão comida’’, dizem esses agricultores - relatou o bispo.
De fato, os programas assistenciais se tornaram um drama em regiões mais pobres do país. Do interior do Nordeste à Baixada Fluminense, chegam relatos de adolescentes que engravidam cada vez mais cedo para ter os benefícios. E, mães que têm mais filhos para aumentar o rendimento. Estes programas assistenciais estão se tornando uma ciranda perversa. (Adriano Dias)

Rede Social da Música
A Rede Social da Música - que congrega mais de 40 entidades que trabalham com música na perspectiva da transformação social, está produzindo um cadastro nacional de professores de música de todos os instrumentos, teoria e solfejo, para disponibilizar à essas entidades. É importante ter experiência com projetos de inclusão social. Informações: contato@redesocialdamusica.org.br (Rede Social da Música)

_____________________________________________________________________________________^

 

MovimentAção

Seminário do Fórum Reage Baixada
O Fórum de Entidades Reage Baixada promoveu, no Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu, um SEMINÁRIO nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro para discutir os rumos do movimento para o ano de 2007.
No encontro percebeu-se a necessidade de pensar outras políticas públicas de consolidação dos direitos humanos, econômico, sociais, culturais e ambientais, buscando a ampliação junto à outros atores e movimentos na sociedade; trabalhar a prevenção da violência com a juventude, promovendo uma agenda positiva e popular.
O grupo de pesquisadores da UFRJ, coordenado pela Professora Leilah, que faz um trabalho de Pesquisa e Extensão sobre o Fórum Reage Baixada, apresentou números relevantes sobre a importância do movimento. Constatou-se, por exemplo, que quase duzentas entidades participaram pelos encontros do FRB entre abril de 2005 a dezembro de 2006.
No segundo dia, o Secretario Municipal de Valorização da Vida e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu, Luiz Eduardo Soares, apresentou uma análise sobre a Violência e debateu com os membros do Fórum Reage Baixada.
Ao final foram discutidas as vitórias, derrotas e novas metas estabelecidas para antes do aniversário de dois anos do movimento. Dentre elas, estabelecer nova relação com as entidades e pessoas que participaram do Fórum; ampliar contatos com novos movimentos - para juntos formularem propostas de políticas públicas para a região; e criar novos instrumentos de comunicação.
O Fórum utilizará o domínio reagebaixada@comcausa.org.br para a comunicação eletrônica. E o endereço www.comcausa.org.br/reagebaixada - disponível a partir de março - para a sua página na internet.
Foi definida também a Secretaria Executiva do Fórum Reage Baixada composta pelas extidades ComCausa; Centro Sócio Político da Diocese de Nova Iguaçu; Circo Baixada; Centro de Direitos Humanos e Viva Rio. O Conselho Gestor será composto pela Rede Contra Violência; NASP / UFRJ; PROFEC; Secretaria Municipal Idoso e Deficiente de Nova Iguaçu e Sr. Miguel. (Adriano Araujo - Centro Sociopolítico Diocese NI)
* Já no primeiro encontro, realizado na semana seguinte ao seminário, ficou definido que o Reage Baixada terá uma temática a cada ano, e a primeira será: Juventude: Educação, Cultura e Paz.

Primeiro Curso de Formação Juventude e Diretios Humanos
Aconteceu no período de 26 a 28 de janeiro o “Primeiro Encontro de Formação Juventude e Direitos Humanos” com a participação de vinte e cinco grupos de jovens da Baixada Fluminense que se reuniram no Centro de Formação de Líderes no Moquetá, em Nova Iguaçu.
Promovido pela FASE, na atividade debateu-se a ação juvenil pelo respeito aos direitos humanos, em face do cenário de violência, de precariedade dos serviços públicos e da falta de oportunidades, vivenciada pelos participantes do evento.
“As lutas por justiça social, distribuição de renda, serviços públicos de qualidade, participação nos espaços públicos, acesso à Justiça, bem como, contra a violência e a discriminação, são todas lutas de defesa dos direitos humanos”, afirmou a responsável pelo projeto, Maria Elena Rodriguez. Para isso, é fundamental que os jovens sejam capazes de expressar as demandas sociais de suas comunidades por melhores condições de vida e de exigir a proteção de direitos humanos.
Os grupos juvenis participantes do projeto terão a oportunidade de trocar experiências, idéias, estratégias e metodologias de atuação entre si e também com grupos de jovens de Recife e de outros países do Mercosul. O projeto acontece também na Argentina (Buenos Aires), no Uruguai (Montevideo) e no Chile (Santiago), onde é promovido por outras ONG’s parceiras. Está em construção uma plataforma interativa pela Internet e, até o final do ano, haverá um grande encontro de intercâmbio na capital argentina. O financiamento do projeto é da União Européia, com apoio da ONG italiana MLAL (Movimento Laicos para a América Latina). (Fase - Projeto Direitos Derechos - por Daniel)

Novos Uivos
Um grupo de artistas Pós-Contemporâneos do século XXI, resolveram se apresentar juntos em um espetáculo criativo e revolucionário em setembro de 2005 no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, no centro de Nova Iguaçu. Não sabiam que o tal ato daria tão bons frutos e que em novembro do ano seguinte haveria o NOVOS UIVOS 2 com um público triplicado.
Com o conceito de manter a entrada sempre franca, o ideal do grupo vem aderindo cada vez mais artistas e colaboradores, que dispõem-se em apresentar seus trabalhos sem um pensamento de retorno materialista. Uma das regras principais é “entreter e raciocinar”.
Alguns dos artistas que já participaram das apresentações são os músicos: Stanley Calyl, Faka, Pablo Mattos, Carlitos & Carmen Kubitschek e Dida Nascimento; os malabaristas do MACA; poetas do Sarau Contemporâneo, Jaime Maia, Dj Zag Jr, a artista plástica Barbarella Jovanholi; a Cia Teatral Somosaarte e o ator e diretor Fau Andrade.
Para sua 3° edição, que acontecerá no primeiro semestre de 2007, NOVOS UIVOS promete um espetáculo muito mais surpreendente, divertido e revigorante. Além de suas outras produções, que rodam o estado do Rio com peças Teatrais, músicos independentes e tudo que se relacione a arte livre. Contato: novosuivos@hotmail.com (Novos Uivos - por Carlitos)

Primeiro Encontro da REDE em 2007
O movimento que reúne um coletivo de jovens organizados da Baixada – denominado REDE - fez seu primeiro encontro de 2007 no dia 10 de fevereiro. Nele foi discutido o intercâmbio internacional Brasil / Uruguai / Alemanha; a publicação do jornal do movimento e a programação do projeto Café Filosófico.
O “Café” continuará a acontecer em Mesquita - no Bar do Rochinha (Centro - Próximo da Prefeitura); em Nova Iguaçu no Bar Raízes (Centro – rua ao lado da Prefeitura), e em São João na ABM. Ficou definido também que o projeto terá atividades em Duque de Caxias e Japeri.
Em Nova Iguaçu a ComCausa, em parceria com a FASE e Fundação Rosa Luxemburgo, é a entidade organizadora do evento, que neste ano terá três encontros com os temas: Gênero e sexualidade; Mídia e Comunicação Alternativa e Juventude e Direitos Humanos. (Lene Oliveira)

_____________________________________________________________________________________^

 

Fazendo Arte

Pimenta do Reino
Criado em 2001, o Pimenta do Reino vem confirmando a cada dia que existe espaço para o forró autêntico e de qualidade.
Com um estilo peculiar, pois vai além do forró pé-de-serra em uma mistura de zabumba, sanfona e triângulo, com violão e flauta. O resultado é uma melodia doce e dançante.
Com um repertório rebuscado – de Luiz Gonzaga, Jakson do Pandeiro, Gordurinha, composições próprias e até Villa Lobos –, a banda foi ocupando seu espaço até que em 2002 gravou o seu primeiro CD: “A HORA É ESSA”. Coincidência ou não, foi quando o Pimenta começou a fazer shows não só por todo o estado do Rio, como também, em Minas e Espírito Santo.
Desde então, o Pimenta não parou mais. Fez apresentações em feiras agropecuárias, festivais, casas de espetáculos, lonas culturais e já dividiu palco com artistas consagrados como Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Alceu Valença, Jorge Vercilo, Beto Guedes, Sá e Guarabira, Elba Ramalho, Falamansa, Trio Nordestino entre outros.
O Pimenta lançou recentemente seu segundo registro, “ESTAÇÃO PIMENTA” – comentado em nossa próxima edição – que em breve estará sendo vendido nas bancas. (Adriano Dias)

Edhu Carwal
Violonista, cantor, compositor e arranjador. Edhu Carwal é peregrino das noites e bares da Baixada, Rio e... Alemanha. Já embalou várias rodadas e encantou pelas características vocais – sempre imitadas pelo companheiro de música e noite Robson Luy –, simpatia e simplicidade.
Em uma aventura Edhu esteve na Alemanha, aonde com os recursos dos shows, custeou seu CD todo com músicas próprias, entre elas o sucesso: “Desgraçada”.
Além do trabalho na noite, Edhu participou de vários festivais de música, como: o Festival de MPB de Viçosa (MG), o de Santa Rita de Jacutinga (MG) e o FestVilla da Escola Villa Lobos (RJ). Já abriu shows de gente como Flávio Venturini, Léo Jaime e Leila Pinheiro. E, tem canções gravadas por vários artistas do cenário brasileiro como Aníbal Rosas, as Bandas Stigma, Stillus, Língua de Sogra, Mastruz com Leite (com o hit “Alguém”).
Edhu Carwal é um dos artistas que são personagens da resistência cultural da Baixada Fluminese. Contato: 21 9656 0552 - duducarwalho@yahoo.com.br (Adriano Dias)

Tomaz Sussking
Outrora vocalista/baixista da banda hardcore Formigas Desdentadas, Tomaz Sussekind é, além de músico e compositor, um militante da cena alternativa carioca; após muitos anos fazendo som pesado nas bandas que participou, cansou-se de estar preso ao formato “guitarra-baixo-bateria” e com vontade de ampliar sua musicalidade em terrenos que, até então, não faziam parte do seu universo, iniciou um trabalho solo. Em 2005, compôs e gravou vários instrumentos no seu primeiro disco, o independente, ”Qualquer Fulano” – comentado em nossa próxima edição.
“Não quero que o meu discurso seja o gancho ou o destaque da minha obra, prefiro que a emoção fale mais alto”, conta Tomaz. “Acredito que a música possa ser encarada como entretenimento, sem perder o contexto artístico”, afirma.
Em seu trabalho solo, Tomaz compôs canções centradas no violão que ganham força com a pegada do rock, guitarras, teclados moog e loops eletrônicos. As composições remetem às várias vertentes musicais: do folk ao indie rock, da inocência dos anos 80 ao retrô, com elementos de anos 50, do brit pop às baladas, cujas letras mergulham em um universo poético que flerta com a MPB. “Eu junto esses estilos buscando um som semelhante, que não pareça uma salada musical”, explica Tomaz.
Apesar da variedade de influências, Tomaz apresenta um som uniforme por ser todo focado em canções atemporais, com destaque para a melodia, harmonia e letras conceituais. Seu trabalho é sua verdade musical, reflexo de sua musicalidade, feito com o coração e fiel ao seu gosto e intuição. As composições foram criadas sem a ambição de serem inovadoras e sim para que a música conquiste o ouvinte, simplesmente pela beleza da canção. (Adriano Dias)

Cia Teatral Somosarte
Criado em 2003, a Cia. Teatral Somosaarte é liderada pelo ator e diretor Mozart Guida, que vem ministrando cursos livres de teatro em Botafogo, Nilópolis e Nova Iguaçu, para um público necessitado de oportunidades. Realizou também um curso de cinema para crianças, com a criação do curta-metragem “Brincando de Gente Grande”.
Trabalhou no CAPS – Centro de Atendimento Psiquiátrico e Social – de Nilópolis e movimentou um curso de teatro terapia para jovens e adultos com problemas especiais em 2004. No ano seguinte, assumiu a direção teatral do curso de teatro da Secretaria de Educação e Cultura de Queimados.
A Cia. Teatral Somosaarte já apresentou pela Baixada e redondezas várias peças, entre elas: “Era uma Vez...”, “O Fantástico Mistério de Feiurinha”, “Peter Pan no Vale da Sabedoria”, “Santos Dumont rima com voar” e “O Carrinho-de-Mão e a Laranjeira”. Este último, ainda em cartaz, frisa a necessidade da conservação do meio ambiente e o respeito ao próximo.
Para este ano, a Companhia continuará em parceria com a Escola Técnica João Luis do Nascimento oferecendo oficinas de dança, teatro e música, além de produções teatrais, workshops e shows de reggae. Mais informações: somosaarte@yahoo.com.br ou 3770 5978 / 9692 3352. (Por Carlitos - Novos Uivos)

_____________________________________________________________________________________^

 

Estante

Lasciva lula – “Sublime Mundo Crânio” (Independente)
Esta é mais uma banda veterana do underground carioca que vem aprimorando e modificando a sua música ao longo do tempo. E põe tempo nisso. Desde que começaram a tocar em Cabo Frio (1998) até hoje, o grupo saiu do restrito círculo indie e ampliou seu público - identificado com suas letras doidas e a melodia chiclete que, por vezes, remete a Raul Seixas e Mutantes.
O tão aguardado álbum de estréia traz 12 poesias musicadas como numa apresentação circense auditiva. Impossível dizer quais as melhores músicas num disco que é muito bom do início ao fim. No “boca-a-boca” popular destaque para Em Frangalhos (que saiu na coletânea I Want it Loud!), A Letra da Canção Desgovernada (“a donzela que estava prometida para o refrão foi deflorada logo na primeira estrofe”), Chuva! (transcrita de um livro infantil homônimo) e Pra Matar a Fome (“fandangos mole com coca sem gás (...) pra matar a fome eu como o que tiver”) – que será o primeiro clipe. DISCÃO!!! www.lascivalula.com.br
(Pedro de Luna)

Noção De Nada – “Sem Gelo” (Manifesto / Urubuz / Ideal Records)
Após o excelente álbum Trilogia Suja de Copacabana, o grupo carioca volta pro bar e, sem gelo, manda goela adentro um novo trabalho do que ousaria chamar “novo hardcore”. Se emo é falar de amor, o NDNada é emo. Mas isso seria como diminuir a banda, que vai além de rótulos e modismos. Os arranjos mudaram e o baterista Gabriel “Bil” Zander se assume como vocalista nos shows, colocando seu “eu” pra fora. Praticamente todas as letras são em primeiríssima pessoa, tratam de frustrações, relacionamentos e capitalismo.
Músicas como Expediente (“mais dor nas costas, menos tempo, outro elevador”), Um Segundo (“mais um segundo e eu mudaria tudo só pra ver pegar fogo aqui”), Orgânico (“então tire os sapatos e tente ser real”) e Suja a Roupa Mas Lava a Alma (“não vim aqui me desculpar nem tentar explicar”) são uns aperitivos do que melhor existe nos discos da banda: unidade. As faixas têm uma ligação que fazem cada CD ser único, conceitual e, de certa forma, parte de uma história que ainda não acabou. Compre toda a coleção e tente entender. www.ndnada.com (Pedro de Luna)

Aborto Elétrico - Capital Inicial Sony/BMG
Regravação de músicas, com arranjos originais da época do Aborto Elétrico. Apesar de soar como uma jogada para os fãs de Capital Inicial e Legião, a sacada é boa e resgata os porões do Rock de Brasília – e do Brasil - em seus primórdios. Vale como registro histórico de onde nasceu as grandes bandas de rock da década de 80, que influênciam gerações até hoje.
No som, a clara influência de Pistols e Ramones, com uma levada punk rock bem mais, músicas que depois seriam, ou ser base para grandes canções de grade sucesso. (Adriano Dias)

Mindflow – “Mind Over Body (Unlock Your Mind)
Quando recebi o primeiro disco desta banda paulista, ainda na ocasião do Jornal do Rock, me surpreendi com a qualidade musical e de gravação. Três anos depois de formada, a Mindflow surge com um novo trabalho e ainda melhor. Acredito na chamada “carpintaria dos palcos”, ou seja, que é fazendo shows que uma banda evolui. Faz sentido se levarmos em conta que, de 2004 a 2006, o grupo tocou na Europa, Ásia e em várias cidades brasileiras. O resultado está aqui nas minhas mãos.
Neste segundo álbum, se é que podemos chamar assim, a banda apresenta um projeto múltiplo que une música, fotografia e quadrinhos. Imagine 80 minutos de áudio para deixar a emoção fluir, experimentar sensações diversas? A proposta passa por aí, estimulando olhos (com dois belos encartes), ouvidos (rock progressivo de primeira linha) e mente. Belíssimo trabalho, rapazes! E orgulhosamente brasileiro. www.mindflow.com.br (Pedro de Luna)

Plural - Revista Literária
Coletânea organizada pela Oficina Editores, responsável pela edição de crônicas, romances e títulos da APPERJ (Associação Profissional de Poetas do Estado do Rio de Janeiro).
A revista, em sua segunda edição, de caráter bienal, apresenta 34 poetas, ensaios, crônicas, contos, música, entrevistas e ainda, atualidades sobre teatro e moda. Seu lançamento aconteceu no dia 19 de novembro, durante o percurso da Barca Rio-Niterói, culminando com a apresentação dos poetas no espelho d’água do MAC - Museu de Arte Contemporânea.
Participam do conselho editorial da revista, os artistas Flávio Dórea, Flávio Rubens, Glenda Maier, Juju Campbell, Márcia Leite e Sérgio Gerônimo - Editor-chefe e presidente da APPERJ. Editora: Oficina Editores Formato: 21X30 cm - 64 págs.Informações: barbarajovanholi@hotmail.com (Carlitos e Barbarella Jovanholi)

 

_____________________________________________________________________________________^

 

Expediente:

Este informativo é um projeto da ComCausa

Organização Não-Governamental da Sociedade Civil - CNPJ 05.857.379 / 0001-74

Programação visual e diagramação: Adriano Dias (ComCausa) Tiragem: 10 mil

Periodicidade: Mensal - Ano X - Edição número: 20 - fevereiro de 2007

Conselho editorial: Adriano Dias - Giordana Moreira - Lene de Oliveira - Don Negrone

Fotos: Acervo ComCausa.

Agradecimentos: Mary Paula, Marcos Serra, Adriano Araújo e Pedro de Luna..

A realização desta edição do projeto de nosso jornal só foi possível com o trabalho voluntário e contribuição financeira de vários colaboradores da ComCausa. Fica aqui um agradecimento especial para estes.

As opiniões emitidas são de responsabilidade de seus autores.

Todos os textos aqui contidos podem ser reproduzidos, desde que seja citado(a) o(a) autor(a) e a fonte.

 

| Edições anteriores | Opine sobre esta edição

_____________________________________________________________________________________^

Página desenvolvida pela ComCausa.

^