Jornal ComCausa 28

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Janeiro de 2008  

Capa jornal ComCausa 28

 

Assuntos

> Editorial
> Fórum Social Mundial 2008
> Um ano ComCausa... dez de aprendizados e Causas
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Artigos
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Editorial

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

> Por Lene de Oliveira

No primeiro exercício de como começar este editorial, lembrei-me de uma fala muito tímida de meu filho de 09 anos numa recente atividade da ComCausa. Durante a roda de apresentação das “causas” que motivavam o trabalho militante de cada um, ele cochichou em meu ouvido “a minha causa é a causa dos outros”. Como toda boa mãe, não poderia deixar lhe dar esse crédito. Penso que isto sintetiza o conteúdo desta edição. Vamos recuperar as causas dos “outros”, as nossas causas, a causa de uma sociedade melhor. Certamente identificaremos equívocos, dificuldades em avançar em determinadas temáticas, mas, sobretudo, encontraremos conquistas que impulsionam a superação dos limites. Conquistas que devem ser celebradas e que não se encontram em feitos faraônicos, mas em ações que se realizam na concretude da realidade adversa.

Alguns devem estar se perguntando sobre nossa capa: UM ANO? Então, vamos esclarecer esta nossa confusão de datas de referências. A ComCausa existe enquanto instituição desde 2003, mas as pessoas que a “oficializaram” atuam juntas desde 1997. Entretanto, se contar a militância de alguns membros - nos mais diversos movimentos - vamos nos remeter a idos de 1985.

Foi com a colaboração de muitos que podemos hoje, comemorar UM ANO DE JORNAL COMCAUSA. Através deste instrumento de democratização da informação foi possível compartilhar reflexões sobre a importância do conhecimento e reconhecimento da cultura e movimentos periféricos - principalmente da região da Baixada Fluminense; a necessidade de se ampliar as oportunidades de participação social; a amplitude e condições para a consolidação dos DIREITOS HUMANOS - econômicos, sociais, culturais e ambientais, entre outros - tão caro à este Jornal.

A persistência na construção de uma sociedade melhor traz consigo o aprendizado dos vários anos de erros e acertos que os militantes que compõem a ComCausa e seus colaboradores. Por isso, achamos importante fazer um pequeno apanhado deste tempo.

 

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Fórum Social Mundial 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

> Por Ewerson Claudio

São muitas tribos, iguais em ousar pensar e agir por um outro mundo, mas com diversidade de expressão. São militantes de partidos de esquerda, outros nem tanto (as pessoas e os partidos), gente de governos e de oposições. São ambientalistas, sindicalistas, ativistas da anti-opressão de gênero, etnia e opção sexual. Gente de todas as idades, credos e filosofias. Personalidades e anônimos.

O Fórum Social Mundial é isso tudo e importante por ser assim. Não há uma hegemonia clara em sua direção e por isso consegue reunir tanta gente. Suas ações têm sentidos e objetivos múltiplos. Quem participa, ajuda a direcioná-lo com suas ações.

Todavia, há uma razão muito bem definida: um outro mundo é possível. Uma contraposição ao neoliberalismo globalizado e autoritário (“globalitário”, como definiu o saudoso geógrafo Milton Santos). Uma tentativa de afirmação do local, das regionalidades, das culturas sobreviventes e insurgentes. Assim, o FSM organizou-se em fóruns regionais, nacionais, locais e temáticos.

A origem do FSM foi um contraponto ao Fórum Mundial de Davos – um encontro de frios burgueses nas montanhas geladas da Suíça, realizado anualmente no mês de janeiro. A partir de Porto Alegre, o FSM ganhou asas e passou pelo chamado Terceiro Mundo em diversos continentes.

Agora, em 2008, as atividades foram descentralizadas mundo afora. No Brasil, sete estados fizeram atividades em 26 de janeiro – o Dia de Mobilização e Ação Global. Aqui no Rio, o evento, denominado “Rio Com Vida”, aconteceu no Aterro do Flamengo, da manhã à noite, com tendas temáticas, plenárias, encontros, barraquinhas e shows.

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As edições do Fórum Social Mundial:

2001, 2002 e 2003 – Porto Alegre, Brasil
2004 – Mumbai, índia.
2005 – Porto Alegre, Brasil.
2006 – Caracas, Venezuela; Bamako, Mali, e Karachi, Paquistão
2007 – Nairóbi, Quênia.
2008 – Atividades descentralizadas em diversas cidades do mundo.

No Brasil, sete estados desenvolveram atividades: GO (Goiânia), MG (Belo Horizonte), PA (Belém), PR (Curitiba), RJ (Rio), RN (Natal) RS (Pelotas) e SP (São Paulo).

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Artigos

 

 

 

A vida passa em um minuto

> Por Robson Luy


A gerente do meu banco bateu no meu carro na Avenida Brasil, numa triste coincidência, e fiquei algumas semanas a pé. Num desses dias, precisei levar minha mãe pra fazer uns exames de vista num hospital em Niterói. Chovia muito o dia inteiro e fomos de Icaraí para Fonseca de ônibus. Na volta, no banco em frente ao nosso, aquele que fica perto da porta, estava uma senhora idosa, com cara de evangélica conservadora, magra, de óculos, e... doida, doida, doida e... maravilhosa também.
A tal senhora falava alto, falava com o motorista e com quem quisesse prestar atenção. Entre outras coisas, disse assim: “— Motorista, quer uma bala pra arder a garganta?”.

Aos poucos, percebi, pela conversa, que ela aproveitava o passe-livre e ficava boa parte do dia rodando de ônibus ali, naquele banco de um só. Virou para um menino que estava sentado do outro lado, para o qual também tinha oferecido a tal da bala que ardia, e disse: “- O negócio é andar de ônibus pra ver a vida passar. (...) A vida é só uma, menino, que Deus deu pra gente. Deus só deu essa. É uma só. Tem duas não. E se tiver outra, essa é a pior.”

Me diverti muito até o fim da viagem e não sei porque lembrei de Heloneida Studart, que era minha ilustríssima vizinha de coluna no portal SobreTudo, e que nos deixou no final de 2007. Heloneida não tinha nada de doida, mas tinha aquele jeito peculiar de contar as coisas que só uma nordestina feminista inteligente como ela sabia fazer. Ouvi Heloneida na década de 70, quando participava do programa de rádio da Cidinha Campos e depois a vi pela primeira vez na década de 80, no Sem Censura, da TVE. Sabia mais ou menos de sua importância na defesa das questões da mulher na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, mas gostava mesmo era de sua doce franqueza ao falar. Um dia, acabei sendo indicado para criar alguns cartazes de seu mandato e passei a freqüentar - todo bobo - o seu gabinete. Há poucos anos, a ouvi dizer para uma assessora: “- Fulana, e aquele meu sofá, quando chega? Ando tão cansada.” Do jeitinho que ela falou, quase que desci ali na Praça XV pra procurar um sofá que servisse. Minha querida guerreira mal sabia de mim, mas eu já a conhecia há muito tempo. E, agora ela se foi.

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Quando eu tinha quatro anos, morávamos em Belford Roxo e minha mãe me levou num médico - em Magalhães Bastos - de trem. Na volta, o trem avariou e tivemos que descer numa estação para esperar. Quando voltou a funcionar, todos entraram de novo, mas nós, não. Não entendi bem aquilo. Tentei avisar minha mãe, mas ela estava desligada de tudo e perdemos o trem. Quando ela se deu conta, fiquei sabendo que era a última composição daquele dia e que não tínhamos dinheiro para voltar de ônibus. Pela primeira vez vi minha mãe chorar. Saímos da estação e, depois de andar algum tempo sem rumo, com dificuldade, ela contou o acontecido para um guarda de trânsito, que lhe deu o dinheiro da passagem. Como é que alguém que sabia fazer tanta coisa em casa, com seis filhos, podia ficar ali tão sem chão? Naquele dia aprendi o que significa angústia antes de conhecer a palavra.

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Oscar Niemeyer fez 100 anos e vi-o dizendo na televisão:

“A vida passa em um minuto. A gente vem aqui, conta uma história e vai embora”.

 

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Veja mais em www.comcausa.org.br/artigos
 
 

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Ações e participações em 2006

 

Um ano ComCausa,
dez de aprendizados e causa...

A ComCausa, enquanto proposta de institucionalidade, surgiu da experiência de quadros militantes de diversos movimentos sociais. As temáticas específicas abordadas pelas diferentes linhas de ações de seus membros, compõem hoje as principais bandeiras da ComCausa, que são interligadas pelo conceito geral de “Cultura de Direitos”.

 

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A cultura como ponto de partida

 

 

 

 

 

Na área cultural promovemos intervenções como os “Encontros de Cultura Alternativa”, onde se misturou zines, música, RPG e até um debate entre os jovens e um senador da Republica; os primeiros eventos em que se apresentaram juntos grupos de Hip-Hop e Rock; os “Prog-Encontros” aonde se reuniam os admiradores de Rock Progressivo; a “I mostra de Cultura Hip Hop da Baixada”; Projeto Rio Hip Hop Contemporâneo: Vernissage Marcelo Eco, em parceria com o Espaço Cultural Constituição; até o encerramento do festival de aniversário da cidade de Nova Friburgo, em 2006, aonde, em um momento inédito, a ComCausa produziu uma noite dedicada à cultura Hip Hop.

A Hillos Rock: espaço de cultura alternativa

Já passa de dez anos quando o espaço de cultura Alternativa - a Hillos Rock - era lotado de jovens que se vestiam de preto e buscavam caminhos alternativos e independentes numa região onde, até hoje, pouco se investe para se ampliar e diversificar as perspectivas. Durante quase cinco anos, sem qualquer tipo de apoio, reunimos semanalmente jovens e bandas de todos os lugares do Rio e outros Estados.

I Encontro de Cultura Alternativa da Baixada Fluminense (1999).

 

> REDE – I Encontro de Cultura Alternativa da Baixada Fluminense (1999)

Para ver mais: www.comcausa.org.br/fotosate2006

 

Alguns grupos tornaram-se conhecidos nos meios tradicionais, como Leela e Los Hermanos. Outros já eram conhecidos - como Uns e Outros, Tony Platão e Dorsal Atlântida e privilegiaram o lugar.

A partir da “Hillos Rock” a Baixada virou referência para eventos de música alternativa. Hoje, este tipo de movimento musical se tornou uma tradição e ocorre em vários pontos da região.

Cultura e crítica social

Dois projetos, em especial, demonstram a maneira ComCausa de promover a cultura: o “Baixada na Pista”, parceria de vários anos com o SESC, onde misturamos mostras de vídeo, skate, exposição, oficinas e, ao final, uma apresentação artística sempre precedida de um debate. Também nesta mesma concepção realizamos o “Música Rap”, em 2005, quando uma apresentação de BNegão – juntamente com artistas locais – bateu o recorde de um público jovem, que, antes da apresentação debateram o contexto sócio-cultural.

“Baixada na Pista” no SESC de Nova Iguaçu – Debate com os jovens – o coordenador do Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu; o Prefeito de Mesquita; Historiador e DJ e a ComCausa.

 

 

“Baixada na Pista” no SESC de Nova Iguaçu – Debate com os jovens – o coordenador do Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu; o Prefeito de Mesquita; Historiador e DJ e a ComCausa.

Estas ações e participações em várias outras atividades, foram forjando a maneira da ComCausa pensar a cultura.

 

 

Baixada na Pista.

Baixada na Pista.

Baixada na Pista.

Baixada na Pista.

Para saber e ver mais: www.comcausa.org.br/historicoate2006 ewww.comcausa.org.br/fotosate2006

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Cultura de direitos

 

 

Historicamente a Baixada sempre foi celeiro de um infinito número de movimentos sociais que sempre lutaram para consolidar seus direitos. Assim, aos poucos, os membros da ComCausa foram se envolvendo em várias ações e discussões juntamente com estes grupos.

Marca da campanha pela abertura da Escola Técnica de Santa Rita. Publicada em 1999 no jornal Alternativo, que deu origem ao jornal da ComCausa.Uma luta emblemática foi a da Escola Técnica de Santa Rita, em Nova Iguaçu que quase se tornou mais um monumento ao descaso com o dinheiro público e com a população. Em 1999, foi criado um movimento que aglutinou vários setores da sociedade, que inconformados com a situação de abandono da obra criaram um fórum de entidades para lutar conjuntamente pela sua conclusão e funcionamento.

Durante anos diversas atividades foram realizadas: houve coletas de assinaturas e debates em escolas. Em abril de 1999, ocorreu um grande ato público em frente à unidade. Depois disso, um abaixo-assinado com mais de nove mil assinaturas foi entregue ao então Ministro da Educação.

Esta movimentação culminou na conclusão das obras e finalmente em 22 de agosto de 2003 o núcleo do CEFET Santa Rita foi inaugurado: uma vitória dos movimentos populares. Quase em paralelo foi criado um movimento para a implantação de uma universidade pública para a região, o que hoje já funciona com alguns cursos em locais temporários, e que se tornará uma realidade com a inauguração do campus da Rural em Nova Iguaçu.

Neste meio tempo ouve o envolvimento e a participação cada vez maior em diversas ações e movimentos de garantia de direitos na Baixada Fluminense: pelo passe livre, caminhadas pela paz, caminhada dos sem, campanha pelo desarmamento, participação nos encontros do Fórum Social Mundial e, fomos nos tornando cada vez mais protagonistas nas ações.

Publicado em jornais da região.

Entre 1999 e 2000, participamos na questão das condições da telefonia na Baixada, onde existiam bairros com 90 mil habitantes e só três telefones públicos. Ao ser questionada, a empresa responsável informou que não tinha planos de implantação alegando inviabilidade econômica. Diante do quadro, acionamos a Comissão de Infra-estrutura do Senado para a solução da questão em menor prazo.

Bairro da Grama em Miguel Couto.

Em 2001, diante de quase 20 mortes no período de um mês no Bairro da Grama em Miguel Couto - Nova Iguaçu por falta de saneamento -, conseguimos voltar os olhos da imprensa e das autoridades sobre o caso, buscando uma solução mais rápida para a situação daquelas pessoas.

 

Uso de tubos de plástico cruzando ruas e desembocando em manilhas de concreto na saída dos riosEm 1999 várias pessoas morreram por contaminações provocadas pela falta de saneamento no bairro Tri-campeão, em Queimados. Em 2002 foram iniciadas obras neste bairro, porém apresentavam irregularidades como uso de tubos de plástico cruzando ruas e desembocando em manilhas de concreto na saída dos rios. Diante deste quadro, denunciamos o Estado e a empreiteira responsável.

 

 

Não sabíamos que todas estas movimentações se tornariam a base de conhecimento para a ComCausa e, posteriormente, nossa participação na questão ambiental na Baixada. Este foi mais um elemento que forjou uma forma de ação mais eficaz na garantia de direitos.

Ato em frente a obra da Escola Técnica de Santa Rita (1999).

Caminhada Pela Paz (2001).

Atos pelo Passe Livre para estudantes (1999).

Para saber e ver mais: www.comcausa.org.br/historicoate2006 ewww.comcausa.org.br/fotosate2006

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A questão Ambiental na Baixada Fluminense

 

 

Em 1999 ocorreu uma movimentação para tornar a Reserva Biológica do Tinguá em Parque Nacional, sob alegação que com o turismo DENTRO da área se teria mais recursos para a sua manutenção. Diante da possibilidade de impactar este tesouro da Baixada, reconhecido como Patrimônio da Humanidade, juntamente com vários ativistas, nos posicionamos em favor da manutenção da área como Reserva Biológica, entendendo que a mudança de categoria somente facilitaria a ação predatória e aumentaria a degradação da região. Fizemos interlocução com parlamentares da Câmara e Senado Federal que destinaram recursos para a unidade que manteve sua categoria de Reserva.

Jornal do movimento.

Em 2001 estivemos diante da questão da implantação de um aterro sanitário na área de entorno da Reserva Ambiental de Tinguá, em Nova Iguaçu. Foram anos de movimentos em portas de órgãos federais, estaduais e municipais; busca de apoio na mídia e uma ação judicial que chegou ao Supremo Tribunal em Brasília.

Na época, a ecologia era para nós era uma temática nova, relacionávamos somente aos protestos teatrais que víamos na televisão.

 

A partir desta ação vimos que o direito ao meio ambiente, quando violado – principalmente na Baixada - mata as pessoas, às vezes, até mais que plantas e animais, como acontece com o problema de falta de saneamento na região.

A partir deste entendimento passamos a nos envolver em várias questões, algumas que somente acompanhamos, como a tentativa de um consórcio de empresas - lNEPAR Energia (Empresa do Paraná), Eletrobrás (Governo Federal) e ENELPOWER (Italiana) – da implantação de uma termoelétrica a carvão em Itaguaí. Onde, graças à movimentação da população e de várias entidades, o projeto foi abandonado.

O CENTRES deveria ser um pátio que serviria para estocar temporariamente resíduos químicos, de onde seguiriam para uma unidade de destinação final, só que isto não aconteceu. O Centro de Resíduos Tecnológicos (CENTRES), no bairro Santo Expedito, em Queimados foi um dos maiores crimes ambientais do país e também, um grande aprendizado. O CENTRES deveria ser um pátio que serviria para estocar temporariamente resíduos químicos, de onde seguiriam para uma unidade de destinação final, só que isto não aconteceu. No local foram abandonados milhares de toneladas de lixo tóxico.

 

Diante do abandono, os moradores da região entravam na área, pegavam barris, jogavam os resíduos no chão - aumentando ainda mais o círculo de contaminação - e vendiam os mesmo para a população que, desinformada, armazenava até água nos mesmos. Além disso, sem cercas que impedissem o acesso à área, animais pastavam livremente entre o lixo químico e tinham seus subprodutos consumidos pela população. Então, a partir de 2001, ajudamos no estabelecimento de algumas medidas preventivas – cercando a área, avisando a população do perigo.

Em paralelo, contribuímos na pesquisa dos resíduos ali existentes – e seus respectivos responsáveis – somando esforços para o trabalho da justiça de convocar as empresas geradoras para que estas retirassem seus materiais, o que ocorreu no ano de 2003.

Com o princípio de tratar todas as questões com a mesma importância, as ações foram se acumulando, sempre observando o cumprimento da lei e se necessário acionando os órgãos fiscalizadores (Ministério Público, Comissões de Meio Ambiente, DMA, Batalhão Florestal, CECA, FEEMA, IBAMA, etc.).

Com o acúmulo de experiências, em algumas questões conseguimos promover ações diretas que devido à velocidade, a rápida mobilização, conseguiu-se impedir possíveis danos.

Assim foi quando a empresa baiana SAISA pretendia instalar um incinerador de lixo industrial no bairro Cabral, em Paracambi. Em quatro dias mobilizamos setores da sociedade, imprensa e preparamos uma representação judicial. Conseguimos barrar o projeto e conseguiu-se sensibilizar o poder público que, na época, sancionou uma lei municipal impedindo futuros empreendimentos com tal potencial poluidor.

Algo similar foi feito em Seropédica, em 2003, quando se conseguiu impedir a implantação de aterro sanitário que estaria escondendo a criação de mais um depósito de lixo químico na Baixada.

Descarrilamento de um trem da empresa FCA derramou milhares de litros de diesel nos manguezais da Reserva de Guapimirim.Já em 2005, diante do descarrilamento de um trem da empresa FCA – logística da Vale do Rio Doce - que derramou milhares de litros de diesel nos manguezais da Reserva de Guapimirim, intermediamos a interlocução inicial para que os recursos da multa fossem destinados direto para as comunidades atingidas, em vez do Governo do Estado.

 

Manifestação em frente ao IBAMA do Rio.

Audiência pública em Tinguá.

Caminhada dos Sem.

Reserva Biológica do Tinguá.

CENTRES.

CENTRES.

Protesto em frente a Prefeitura de Nova Iguaçu.

Lançamento da campanha da Fraternidade – “Água fonte da Vida” – na estação de tratamento do Guandu.

Para ver mais: www.comcausa.org.br/fotosate2006

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Reação à Chacina da Baixada: 31 de março de 2005

 

 

As coisas foram acontecendo uma atrás da outra ou ao mesmo tempo. Sempre com urgência, e mesmo sem maiores discussões os membros da ComCausa foram forçados a se posicionar.

 

Bar Caique, na Rua Gama (Bairro Cerâmica, em Nova Iguaçu) – local de nove das vinte e nova mortes.Ainda em 2005, mais uma vez tivemos outra mudança de direção quando no dia 31 de março, policiais criminosos levaram terror aos municípios de Nova Iguaçu e Queimados: vinte e nove pessoas foram assassinadas.

Primeiro evento de protesto em Nova Iguaçu.Diante do episódio, posicionamo-nos no sentido de auxiliar algumas famílias das vitimas na busca de apoio junto a órgãos e entidades de direitos humanos, e juntamente com vários movimentos participamos dos atos públicos e da criação do Fórum de Entidades Reage Baixada, que culminou na criação de um Dossiê contra a Impunidade - Reage Baixada.

Ao final de 2006, voltamos a nos reunir com as demais entidades do Fórum e participamos da atividade Natal de Paz.

Dossiê contra a Impunidade - Reage Baixada.

Bar Caique, na Rua Gama (Bairro Cerâmica, em Nova Iguaçu) – local de nove das vinte e nova mortes.

Natal de Paz, dezembro de 2006.

 

 

 

 

Para ver mais: www.comcausa.org.br/fotosate2006 e www.comcausa.org.br/chacinadabaixada

 

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ComCausa no Fórum Reage Baixada

 

www.comcausa.org.br/reagebaixada

ComCausa no Fórum Reage Baixada
- Avaliação de 2007

O Fórum de Entidades Reage Baixada foi criado imediatamente após a chacina de 31 de março de 2005, para manifestar a solidariedade, a cobrança por justiça e a proposta de valorização da vida.

Segundo pesquisa do NASP/UFRJ, em seu primeiro ano, 202 entidades, a maioria delas de Nova Iguaçu, seguindo-se Queimados e Mesquita participaram das diversas atividades. Houve também a representantes dos municípios de Duque de Caxias, Belford Roxo, Nilópolis, São João de Meriti, Seropédica, Itaguaí, Petrópolis e Rio de Janeiro.

Quando a ComCausa decidiu, em janeiro de 2007, atuar na questão dos direitos humanos na Baixada sabíamos que a discussão da prevenção da violência seria uma constante, mas não sabíamos que nossa participação na Secretaria Executiva do Fórum Reage Baixada envolveria tão profundamente a instituição nesta questão.