Greiat
Eight
O
G8 é composto pelos sete países mais ricos e industrializados:
Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Alemanha,
Itália, Japão e Canadá, mais a Rússia.
Neste ano, no período de 6 a 8 de junho a cidade balneária
de Heilligendamm foi palco do encontro dos líderes destas
potências. A ComCausa esteve presente juntamente com jovens
do projeto de CBB de intercâmbio político-cultural,
promovido pela Fundação Rosa Luxemburgo - Alemanha,
Casa Bertold Brech – Uruguai e FASE – Brasil, em
um momento mundialmente importante para a luta contra as desigualdades
promovidas pelo capitalismo.
Os
jovens do Brasil, Uruguai e Alemanha participaram dos atos contra
o encontro da cúpula, na cidade próxima ao balneário,
Rostock. Diferentes linhas de ações foram realizadas
por redes e alianças entre movimentos e a esquerda, como
oficinas com temas opostas à discussão do G8.
No “Dia de Ação Global” foi marcada
pelas manifestações - a primeira reuniu 80 mil
pessoas - e tiveram as temáticas como agricultura e migração.
A
maioria dos ativistas era jovens de toda a Europa, que na troca
de informações nos trouxeram a realidade e os
posicionamentos dentro da política, da sociedade e a
formação histórica de diferentes paises,
mas que sofrem os mesmos processos do sistema a que nós
no Brasil estamos submetidos.
A
Alemanha sofre com os efeitos do capitalismo
A
Alemanha, um dos países mais ricos do globo, sofre com
os efeitos do capitalismo: a taxa de desemprego é crescente,
os serviços que antes eram totalmente garantidos pelo
Estado - como o acesso a saúde e a Universidade - hoje
são pagos pela população. Neste contexto,
jovens europeus rejeitam totalmente a necessidade de um Estado
e buscam formas alternativas de vida. Muitos são anarquistas
e autônomos, não se associam as outras instituições
ou partidos, promovendo suas ações a partir de
estratégias próprias e recursos.
Há
uma intensa diversidade de grupos e indivíduos autônomos,
alguns como o Block Negro, que se caracterizam pelas roupas
pretas e óculos escuros, que atuaram na linha de frente
dos confrontos, o que acabou gerando uma grande controvérsia
entre os movimentos.
Foram
montados três acampamentos para as manifestações
- com cerca de 4 mil pessoas cada – com estrutura ecológica,
alimentação vegetariana e até parque para
crianças. Os movimentos ecológicos ministravam
diariamente cinco oficinas práticas para cerca de 300
pessoas. Além destes, foram feitas oficinas como táticas
de bloqueio e enfrentamento da repressão policial com
artifícios pacíficos, para uma das ações
mais importantes, o bloqueio dos acessos à cidade de
Heilligendamm, na tentativa de impedir a realização
do encontro.
Neo-nazistas
no G8
Não
poderia deixar de comentar sobre o grupo mais polêmico,
os neo-nazistas, que estiveram presentes nas manifestações
pregando um Estado Nacionalista adotando bandeiras de movimentos
da esquerda como a defesa da natureza e símbolos como
Che Guevara.
Dezesseis
mil policiais estavam em função das manifestações.
Nos
momentos de manifestações das idéias contrárias
aos interesses do Estado, a polícia foi a maior representante
deste. A repressão e o controle se dão da forma
mais intensa na afirmação do poder do Estado sobre
o individuo, exatamente o contrário do posicionamento
adotado pelos anarquistas no encontro.
A
política do medo e do controle.
Dias
antes do começo das ações respaldados pela
lei anti-terror, escritórios de movimentos e centros
culturais foram invadidos e tiveram seus computadores apreendidos,
suspendendo até o funcionamento de um servidor utilizado
pelos movimentos de esquerda.
Enquanto
no Brasil a esquerda escreve sua longa e particular história
Os
jovens são bombardeados pela propaganda capitalista construindo
valores fundamentados na competição e no consumismo.
Aqueles que, de alguma forma, detectam e rejeitam esta alienação
buscam alternativas que lhes são mais próximas,
a cultura, a arte ou a ação social, se organizando
em movimentos alternativos ou em grupos distintos. Porém,
esta história que herdamos guarda conquistas e derrotas
do explorador e também dos explorados que são
reescritas pelas novas gerações e podem ser novas
e diferentes se superados os erros e reconhecidos os acertos.
Cada
vez mais gente percebe na pele os efeitos desde modelo desigual
no mundo. Mesmo o cidadão mais descomprometido com os
acontecimentos de sua comunidade percebe os efeitos do capitalismo,
como a dificuldade em arranjar um emprego ou o aumento descontrolado
do calor, efeitos sentidos no Brasil, na Alemanha ou em qualquer
metrópole.
No
Brasil, os efeitos de um modelo econômico que prioriza
o lucro recaem duramente sobre a juventude, e, a falta de entendimento
desse processo se materializa nas utopias da propaganda. Mas,
para os jovens que se expressam em seus raps, programas de rádios,
grafites, zines e camisetas, o desenvolvimento e o oficial reconhecimento
de suas formas de organização e das suas estratégias
devem estar linkadas a história da própria luta
de uma forma ampla, que necessita de novos espaços para
a constituição dessas idéias e para o fortalecimento
daquelas que já marcaram o contexto mundial. E assim,
manifestar-se para a sociedade encarando a propaganda e os valores
de competição e consumo para dar lugar ao ser
humano e sua dignidade, tanto no direito de falar o que pensa
e ser compreendido, até ir e vir sem violência
nem discriminação, para assim formar uma nova
consciência de sociedade e de seu papel nela.