ComCausa no G8 - Alemanha

Junho 2007

O Encontro dos líderes dos países mais ricos do mundo atrai os olhares para cúpula do poder capitalista, assim como dos seus opositores. O Greiat Eight - ou G8 - é composto pelos sete países ricos industrializados: Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá, mais a Rússia. Giordana Moreira (ComCausa) e Sebá (Setor BF) estiveram presentes em uma ação do projeto CBB Intercâmbio.

Greiat Eight

O G8 é composto pelos sete países mais ricos e industrializados: Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá, mais a Rússia. Neste ano, no período de 6 a 8 de junho a cidade balneária de Heilligendamm foi palco do encontro dos líderes destas potências. A ComCausa esteve presente juntamente com jovens do projeto de CBB de intercâmbio político-cultural, promovido pela Fundação Rosa Luxemburgo - Alemanha, Casa Bertold Brech – Uruguai e FASE – Brasil, em um momento mundialmente importante para a luta contra as desigualdades promovidas pelo capitalismo.

Os jovens do Brasil, Uruguai e Alemanha participaram dos atos contra o encontro da cúpula, na cidade próxima ao balneário, Rostock. Diferentes linhas de ações foram realizadas por redes e alianças entre movimentos e a esquerda, como oficinas com temas opostas à discussão do G8. No “Dia de Ação Global” foi marcada pelas manifestações - a primeira reuniu 80 mil pessoas - e tiveram as temáticas como agricultura e migração.

A maioria dos ativistas era jovens de toda a Europa, que na troca de informações nos trouxeram a realidade e os posicionamentos dentro da política, da sociedade e a formação histórica de diferentes paises, mas que sofrem os mesmos processos do sistema a que nós no Brasil estamos submetidos.

A Alemanha sofre com os efeitos do capitalismo

A Alemanha, um dos países mais ricos do globo, sofre com os efeitos do capitalismo: a taxa de desemprego é crescente, os serviços que antes eram totalmente garantidos pelo Estado - como o acesso a saúde e a Universidade - hoje são pagos pela população. Neste contexto, jovens europeus rejeitam totalmente a necessidade de um Estado e buscam formas alternativas de vida. Muitos são anarquistas e autônomos, não se associam as outras instituições ou partidos, promovendo suas ações a partir de estratégias próprias e recursos.

Há uma intensa diversidade de grupos e indivíduos autônomos, alguns como o Block Negro, que se caracterizam pelas roupas pretas e óculos escuros, que atuaram na linha de frente dos confrontos, o que acabou gerando uma grande controvérsia entre os movimentos.

Foram montados três acampamentos para as manifestações - com cerca de 4 mil pessoas cada – com estrutura ecológica, alimentação vegetariana e até parque para crianças. Os movimentos ecológicos ministravam diariamente cinco oficinas práticas para cerca de 300 pessoas. Além destes, foram feitas oficinas como táticas de bloqueio e enfrentamento da repressão policial com artifícios pacíficos, para uma das ações mais importantes, o bloqueio dos acessos à cidade de Heilligendamm, na tentativa de impedir a realização do encontro.

Neo-nazistas no G8

Não poderia deixar de comentar sobre o grupo mais polêmico, os neo-nazistas, que estiveram presentes nas manifestações pregando um Estado Nacionalista adotando bandeiras de movimentos da esquerda como a defesa da natureza e símbolos como Che Guevara.

Dezesseis mil policiais estavam em função das manifestações.

Nos momentos de manifestações das idéias contrárias aos interesses do Estado, a polícia foi a maior representante deste. A repressão e o controle se dão da forma mais intensa na afirmação do poder do Estado sobre o individuo, exatamente o contrário do posicionamento adotado pelos anarquistas no encontro.

A política do medo e do controle.

Dias antes do começo das ações respaldados pela lei anti-terror, escritórios de movimentos e centros culturais foram invadidos e tiveram seus computadores apreendidos, suspendendo até o funcionamento de um servidor utilizado pelos movimentos de esquerda.

Enquanto no Brasil a esquerda escreve sua longa e particular história

Os jovens são bombardeados pela propaganda capitalista construindo valores fundamentados na competição e no consumismo. Aqueles que, de alguma forma, detectam e rejeitam esta alienação buscam alternativas que lhes são mais próximas, a cultura, a arte ou a ação social, se organizando em movimentos alternativos ou em grupos distintos. Porém, esta história que herdamos guarda conquistas e derrotas do explorador e também dos explorados que são reescritas pelas novas gerações e podem ser novas e diferentes se superados os erros e reconhecidos os acertos.

Cada vez mais gente percebe na pele os efeitos desde modelo desigual no mundo. Mesmo o cidadão mais descomprometido com os acontecimentos de sua comunidade percebe os efeitos do capitalismo, como a dificuldade em arranjar um emprego ou o aumento descontrolado do calor, efeitos sentidos no Brasil, na Alemanha ou em qualquer metrópole.

No Brasil, os efeitos de um modelo econômico que prioriza o lucro recaem duramente sobre a juventude, e, a falta de entendimento desse processo se materializa nas utopias da propaganda. Mas, para os jovens que se expressam em seus raps, programas de rádios, grafites, zines e camisetas, o desenvolvimento e o oficial reconhecimento de suas formas de organização e das suas estratégias devem estar linkadas a história da própria luta de uma forma ampla, que necessita de novos espaços para a constituição dessas idéias e para o fortalecimento daquelas que já marcaram o contexto mundial. E assim, manifestar-se para a sociedade encarando a propaganda e os valores de competição e consumo para dar lugar ao ser humano e sua dignidade, tanto no direito de falar o que pensa e ser compreendido, até ir e vir sem violência nem discriminação, para assim formar uma nova consciência de sociedade e de seu papel nela.

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Fotos : Acervo ComCausa.

> Por Giordana Moreira

Publicado no jornal ComCausa 24.

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