Dois Anos do Fórum Reage Baixada

 

Abril de 2007

> Por Adriano Dias

As atividades em memória aos dois anos da chamada “chacina da Baixada”, e também da criação do Fórum de Entidades Reage Baixada, foram iniciadas no dia 27 de setembro, terça, em um evento promovido pelo projeto Circo Baixada que comemorou o Dia Nacional do Circo articulando a “Rede Circo do Mundo” e escolas públicas da Baixada Fluminense.

A cultura popular invade o Circo Baixada

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O espetáculo “A cultura popular invade o Circo Baixada” teve um público de cerca de 350 crianças de escolas da região. Segundo o coordenador do Projeto, José Cândido: “Fazer as apresentações para crianças foi a oportunidade de sensibilizá-los e mostrar-lhes o que as crianças do Circo Baixada são capazes de fazer quando lhes é dada a oportunidade”. As crianças, então, puderam entre um sorriso e uma gargalhada, despertar um novo olhar com relação às crianças em situação de rua e risco da Baixada Fluminense.

Esta atividade foi objeto de duas coberturas pelo RJTV – uma pela manhã, ao vivo, e à tarde, durante a realização do evento. O ponto positivo foi que já nesta abordagem a imprensa relembrou os assassinatos e o processo judicial contra os autores. Entretanto deu um grande destaque à ação positiva que o Circo Baixada realiza com as crianças da região.

“Diferentemente da comemoração do ano passado, não só lembramos as vítimas da chacina. A apresentação foi uma demonstração de como a cultura pode ser o instrumento de prevenção à violência” – afirmou José Cândido, coordenador do Projeto.

 

Lançamento do portal SobreTudo

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Ainda no dia 28 de março, à noite, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, no centro de Nova Iguaçu foi lançado um portal de internet: o SOBRETUDO. Apesar desta atividade não estar inicialmente na grade de programação do Reage Baixada o porta é mais um instrumento estratégico para a nova dinâmica dos movimentos na Baixada.

No evento cerca de cento e cinqüenta pessoas ligadas aos diversos movimentos sociais, empresários e poder público participaram do lançamento.

“O Sobretudo tem o objetivo de divulgar opiniões, informações e eventos de interesse para a Baixada Fluminense e todos aqueles que se envolvem com suas questões, promovendo o intercâmbio de experiências da sociedade civil e a discussão de políticas públicas, contribuindo, assim, para a elevação da auto-estima da região e para a democratização da informação.” – Ewerson Cláudio.

Debate “Juventude: Educação, Cultura e Paz”.

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No dia 29 de março, quinta-feira aconteceu no Centro Comunitário Padre Daniel, em Mesquita, o debate “Juventude: Educação, Cultura e Paz”. Um encontro com entidades ligadas a movimentos culturais, de educação, de juventude e religiosas.

A abertura do encontro foi feita pelo prefeito de Mesquita, Artur Messias. Logo após, os debatedores apontaram vários aspectos que envolvem o quadro de violência na Baixada: o professor José Cláudio de Souza Alves - da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ), autor do livro “Dos Barões ao Extermínio – Uma História da Violência na Baixada Fluminense” - ressaltou que “a situação que se vive hoje é conseqüência da falta de políticas públicas, em especial para a juventude”-, e que - “há também uma utilização política do quadro de violência”.

Def Yuri afirmou que "antes de se exterminar o jovem da periferia, há o extermínio das suas possíveis perspectivas de vida, ao não se investir em educação e cultura".

Márcio Grafiti relatou sua experiência nos movimentos ligados ao cinema alternativo, que buscam incluir os setores marginalizados na produção de filmes e também no acesso ao que é produzido.

Giordana Moreira, da ComCausa, falou sobre a realidade do jovem pobre da Baixada e da falta de perspectivas da juventude da região. Segundo Giordana, a situação se repete praticamente como uma regra através de gerações:

“A conseqüência de não haver investimento na formação social e cultural dos jovens, nem investimento do poder público nas questões mais básicas, as meninas engravidam precocemente e os meninos vivem em um perigoso ócio. Ambos por falta de horizontes e perspectivas.” - Giordana Moreira, coordenadora da ComCausa.

Na sexta feira, dia 30 de março, o Padre Justin Munduala – do Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu – esteve no Bom Dia Rio em uma matéria sobre as movimentações do Fórum Reage Baixada. Mais tarde, a Rádio Band News fez uma entrevista de quase 30 minutos com Adriano Dias, da ComCausa.

 

Lançamento do Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública e audiência Pública na Câmara Municipal de Queimados

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Às 10 horas do mesmo dia, no auditório da UNIG, em Nova Iguaçu, foi assinado pelo governador do Rio Sérgio Cabral Filho, pelo ministro da Justiça Tarso Genro e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, a carta de intenções que cria o Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública (GGI) de Nova Iguaçu, o primeiro GGI municipal do país.

A proposta de criação do GGI Municipal partiu do secretário de Valorização da Vida e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu, Luiz Eduardo Soares, um dos idealizadores dos GGIs estaduais, quando estava à frente da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

A cerimônia contou também com a presença do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, de representantes da Justiça, Defensoria Pública, Ministério Público, de lideranças religiosas, familiares de vítimas da violência e de movimentos sociais.

A data do lançamento foi escolhida pelo episódio da “Chacina” e o Reage Baixada, na figura do Padre Justin Munduala, compôs a mesa no encerramento do evento.

“A melhor homenagem à memória das vítimas da violência é a criação de condições que previnam outras tragédias e reduzam a impunidade” - Luiz Eduardo Soares.

No mesmo dia, às 15 horas, aconteceu na Câmara Municipal de Queimados uma Audiência Pública promovida pelo Vereador José Alves de Carvalho (Dequinha), pelo Circo Baixada, SOS Queimados e CMQ. Participaram também o SEPE de Queimados, o Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu, a ComCausa, entre outras entidades.

Na plenária foram discutidas as condições que levam à cultura de ilegalidade, que abre espaço para violências como a ocorrida no dia 31 de março de 2005. Antes, os familiares das vítimas foram entrevistados para matéria veiculada no SBT nacionalmente.

Já à noite, às 18hs, na Praça do Relógio no centro de Duque de Caxias foi realizada uma Celebração Ecumênica promovida pelo PROFEC, Diocese de Duque de Caxias, CD-VIDA, ASPAS, Sociedade Comunhão Cristã, Igreja Ortodoxa e Igreja Metodista de Lote XV e Pantanal de Duque de Caxias.

 

Missas e caminhada

No sábado, dia 31 de março, em memória às vítimas foram celebradas missas na Igreja Sagrada Família, no bairro da Posse, em Nova Iguaçu e na Praça Nossa Senhora da Conceição, no centro de Queimados.

Em Nova Iguaçu, após a missa celebrada pelo bispo Dom Luciano Bergamin, houve caminhada até o bar do Caíque, na Rua Gama, na Cerâmica - local onde ocorreu o assassinato de nove das vinte e nove vítimas.

Cerca de mil pessoas acompanharam a caminhada, seguida de um ato público que contou com a presença de familiares, vizinhos e amigos das vítimas. Representantes de entidades que atuam na área dos direitos humanos e autoridades como os prefeitos Artur Messias (Mesquita), Lindberg Farias (Nova Iguaçu) e Rogério do Salão (Queimados); o comandante do 20º BPM, Júlio César Ramos e o chefe do Comando de Policiamento Militar da Baixada, Roberto Penteado; os deputados Chico Alencar (Federal - PSOL) e Alessandro Molon (Estadual - PT), ambos integrantes da Comissão de Direitos Humanos das respectivas casas, e os vereadores Carlos Ferreira (PT) e Fernando Cid (PCdoB).

Ao final da caminhada, Adriano Araújo, do Centro Sócio Político da Diocese de Nova Iguaçu, leu o documento de referência da campanha “Juventude: Educação, Cultura e Paz” do Fórum Reage Baixada.

No mesmo dia, às 18 horas familiares das vítimas e movimentos sociais realizaram uma missa na Praça Nossa Senhora da Conceição, no centro de Queimados, que marcou o encerramento das homenagens.

Todas as atividades envolveram diretamente em torno de 3 mil pessoas. Porém a ComCausa contabilizou a interlocução com aproximadamente 1.200 movimentos, entidades, poder público e pessoas envolvidas na discussão dos direitos humanos. Além de mais de 250 órgãos de imprensa.

As atividades tiveram espaço em vários veículos de informação, e, em pesquisa feita na internet – no dia 5 de abril, data da reunião de avaliação da ComCausa - as atividades foram citadas em mais de cem sítios, inclusive fora do país.

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> Artigo: Reage Baixada - Dois Anos

> Artigo: Reage Baixada - Juventude, Educação, Cultura e Paz

Publicado no jornal ComCausa 21.

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> Material produzido pela ComCausa 

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Fotos : Acervo ComCausa.

Veja mais em notícias - Publicado no jornal ComCausa 22.

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Página desenvolvida pela ComCausa.

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