Lançamento Grafiteiras pela Lei Maria da Penha

Grafitagem na DEAM de Nova Iguaçu.

08 de junho de 2008

Junho 2008

> Por Lene de Oliveira e Giordana Moreira

No dia 08 de junho, domingo, a ComCausa realizou atividade de encerramento do projeto “Grafiteiras pela Lei Maria da Penha” em uma ação aberta a todo público. As grafiteiras capacitadas como Promotoras Populares produziram vários painéis temáticos na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher – DEAM em Nova Iguaçu.

Figuras femininas revelaram mensagens de amor e justiça que, junto ao empenho da sociedade civil organizada e das jovens, reafirmou a Delegacia Especial como sendo um lugar de defesa e garantia dos Direitos da Mulher.

A titular da DEAM de Nova Iguaçu, Dra. Teresa Pezza, entregou os certificados às grafiteiras capacitadas ao lado das coordenadoras do projeto, a socióloga Lene de Oliveira, a grafiteira Panmela Castro, a Anarkia e a gestora cultural Giordana Moreira.

A atividade contou com a presença de representantes das seguintes instituições: Secretaria Municipal de Valorização da Vida e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu, Coordenadoria de Mulheres de Mesquita, ONG Cria, CAMTRA – Casa da Mulher trabalhadora, LUB – Liga Urbana de Basquete que filmou e fotografou todo o evento.

Com apoio da FASE/SAAP o projeto percorreu quatro comunidades da Baixada Fluminense, (Nova Iguaçu – Rosa dos Ventos, Carmary e Bairro Grajaú - e São João de Meriti - Vila Rosali), durante os meses de março, abril e maio capacitando jovens moradoras como promotoras populares da Lei Maria da Penha. Através de oficinas de grafite meninas e mulheres produziram painéis sobre a lei e questões de gênero dentro das suas comunidades. Além dos quatro painéis, a Praça dos Direitos Humanos, em Nova Iguaçu também permanece com o painel grafitado no lançamento do projeto onde se realizou o 2° Encontro de Grafiteiras do Rio de Janeiro.

O legado social e cultural é uma certeza para os executores e apoiadores. Acredita-se que este foi o projeto que deixou no Estado do Rio de Janeiro o maior número de painéis públicos produzidos exclusivamente por mulheres.

Observou-se também na execução do projeto o quanto é importante o estreitamento de relações e integração de ações entre poder público e sociedade.
Em Nova Iguaçu, no âmbito municipal houve dificuldades de ordens diversas, desde a liberação do muro da Praça de Direitos Humanos – que se encontrava até aquele momento visivelmente abandonada, o questionamento ao “enquadramento” metodológico do projeto às linhas de atuação de um programa sócio-educativo em desenvolvimento para estudantes até a 8ª série, até um velado questionamento da autoridade de gestores públicos. Este processo de implementação do projeto nos revelou que a abertura ao diálogo, ao novo, à diversidade não é prerrogativa da esquerda ou da direita – se é que estes ainda são conceitos válidos – mas, daqueles que se importam com o bem comum, com problemas sociais de origem complexa e difusa. Por isso, destacamos a colaboração fundamental de Alan Bronz da SEMUVV, e da equipe de funcionários da EMLURB e da LIPA.

No âmbito estadual, de modo geral, pode-se dizer que a própria inauguração do CIAM Baixada foi - em parte - reflexo do processo de estreitamento da relação entre o poder público e atores da sociedade civil. Especificamente para a realização do projeto “Grafiteiras pela Lei Maria da Penha”, a parceria com o CEDIM – Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, através de sua coordenadora, Cecília Soares - foi de fundamental importância na capacitação das grafiteiras em Promotoras Populares e no incentivo à novas linguagens formativas e informativas. A advogada do CEDIM, Dra. Ana Paula Ciamarella, foi além do solicitado ao órgão e atuou de forma incansável em todas as capacitações realizadas em comunidades. Foi também esta sensibilidade para o diálogo com a realidade local que levou o Ciep Vereador Cândido Augusto Ribeiro Neto e o Ciep Chão de Estrelas a abrirem suas portas ao projeto.

O encerramento do projeto foi pensado de forma ousada... e sua realização só foi possível com o empenho da Delegada Titular da DEAM de Nova Iguaçu - a Dra. Teresa Pezza - e o apoio da Delegada Coordenanadora das Delegacias de Atendimento à Mulher do Estado do Rio de Janeiro, Dra. Inamara Costa.

Assim, em situação inédita na Baixada, aconteceu a integração entre a polícia civil e uma instituição de Direitos Humanos. Com a atividade sócio-cultural na delegacia deu-se início a um processo de transformação de mentalidades. Jovens dentro da delegacia, mas não dentro da carceragem.
Cores, formas e música que expressam a vida e a liberdade com alegria. Foi tudo isso que atraiu a vizinhança a também visitar aquele espaço numa tarde de domingo.

Para finalizar gostaríamos de agradecer a todos e todas que contribuiram, especilmente, à padaria Art Pão - tradicional apoiadora das atividades sócio-culturais na região - que ofereceu um delicioso Brunch nas atividades de abertura e de encerramento; à Alex Rocha - Curso de Idiomas Brasas - que tem se tornado um grande apoiador das causas desta instituição; à WORX que doou todos os sprays utilizados na produção dos painéis.

A ComCausa continua realizando interferências artísticas, capacitações e a discussão sobre gênero e juventude através da capacitação na Lei Maria da Penha, da exposição Minas do Graffiti e de pinturas coletivas.

Confira também em nossa página entrevista com a Delegada Dra. Teresa Pezza que fala sobre seu ingresso na vida policial e no combate à violência contra a mulher.

Fotos: ComCausa, Ratão, Panmela Castro e Cleiton (DEAM-NI) - Para ver mais fotos.

Veja mais em www.comcausa.org.br/grafiteiraspelalei - Publicado no jornal ComCausa 32.

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