Parada GLBT 2007 em Nova Iguaçu

Por tolerância e o respeito à diversidade

 

Julho de 2007

> Por Adriano Dias

Em São Paulo, aproximadamente três milhões e meio de pessoas foram às ruas em uma caminhada, que além de festiva, foi uma manifestação contra a criminalização aos homossexuais e luta pelos direitos. Em um momento em que se discutem penas mais duras, redução de maioridade penal, entre outras, a “Parada GLBT” se tornou um grande movimento da sociedade por tolerância e respeito à diversidade.

Na Baixada Fluminense, palco de diversos atos de desrespeito aos direitos humanos, os homossexuais são um dos grupos que mais sofrem, pois neles são canalizados todos os preconceitos. São alvos de grupos de extermínio e homofóbicos que gostam de se divertir com o sofrimento daqueles com quem não compartilham os mesmos valores e tem acesso diferenciados à direitos e ao exercício da cidadania. Para qualquer um que acima de tudo valoriza a vida é inquietante saber de tanta violência.

O preconceito e a repressão contra os homossexuais na Baixada, como outras formas de violência, são institucionalizados. Em Nilópolis, por exemplo, uma cidade que é nacionalmente conhecida por sua escola de Samba, que no carnaval convive tranquilamente com a homossexualidade daqueles que participam, promove e produz a grande festa, teve inviabilizado pela Câmara de Vereadores a realização de sua Parada GLBT.

Parada do Orgulho GLBT em Nova Iguaçu para a cidade
O evento - organizado pelos grupos 28 de junho, AGANI, Associação Triângulo Rosa e APABAFLU – teve como tema “Por um Mundo sem Racismo, Machismo e Homofobia” e reuniu no dia 24 de junho aproximadamente 30 mil pessoas - abrindo assim, o circuito de paradas do Orgulho no Estado do Rio.
Com uma maioria esmagadora de jovem e grande quantidade de famílias com crianças, a parada de Nova Iguaçu teve representantes de vários municípios da Baixada, Capital e outros Estados. E, se diferenciou por não ser simplesmente mais uma festa, pois um grande número de participantes estava dedicado à missão militante de pregar à igualdade de direitos e o combate à violência. Segundo a G Magazine Online: “Sem o modismo e o exibicionismo da zona sul, mas com muita alegria e entusiasmo, e de uma maneira muito pacífica num Rio cada vez mais tomado pela violência, o público GLBT da Baixada mostrou a sua força”.

Pouca atenção do Poder Público
A parada se concentrou na Rua Dom Walmor, seguiu pela Via Light até a Av. Plínio Casado aonde foi armado um grande palco. Devido à falta de agentes de trânsito um grande congestionamento criou transtorno para a população, segundo um morador, ele levou uma hora e meia para atravessar o centro da cidade. E algumas preocupações: mesmo com o grande número de participantes observou-se somente a presença de uma viatura da Polícia Militar e uns três policiais. Assim, uma grande apreensão ocorreu quando em um trecho da Via Light - que é mão dupla - vários manifestantes se espalharam entre os carros parados no congestionamento para festejar. Por sorte o clima pacífico e alegre impediu que problemas maiores acontecessem.

Além deste, o que se notou foi a pouca presença de autoridades, as que participaram foram por conta de seu engajamento na causa dos direitos: Luiz Eduardo Soares (Secretário de Valorização da Vida e Prevenção da violência de Nova Iguaçu); Jerri Simões (Secretário de Fazenda de Mesquita) e Antônio Carlos da Costa (Secretário de Cultura de Nilópolis) participaram do evento.

Quando a noite caiu a área de entorno do palco dos shows de encerramento estava totalmente lotada e este público assistiu a pelo menos vinte atrações diferentes, entre grupos de dança, funk, pagode, performances de inúmeras drags queens, cantores de música pop, finalizando com show da cantora Rosana.

 

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