Um ano sem Ítalo Lopes

Outubro de 2007

Proposto pela ComCausa - através do Fórum Reage Baixada - foi realizada no dia 05 de Outubro uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Mesquita com o título “Pelo fim do Tribunal de Rua” (referência à música do Rappa). Nosso intuito era discutir a questão da abordagem policial, principalmente com a juventude na Baixada Fluminense.

A atividade foi também um ato em memória Ítalo Lopes, morto por policiais há um ano - e tinha também a proposta de trazer a discussão do extermínio de jovens na região.

Foram enviados de maneira eletrônica aproximadamente 350 convites, e oficiadas cerca de 80 autoridades de órgãos de segurança pública e Direitos Humanos, governos municipais e atores sociais envolvidos com a questão. Além de grupos e entidades da sociedade civil e o movimento Hip Hop no qual Ita fazia parte. Entretanto poucos se dispuseram a participar - compareceram representantes da Secretaria de Prevenção a Violência e Valorização da Vida de Nova Iguaçu; do Mandato do deputado federal Chico Alencar; do deputado estadual Marcelo Fleixo (ambos das comissões de Direitos Humanos das respectivas casas) e o presidente da Câmara de Mesquita, vereador André Taffarel.

A acolhida do grupo Setor BF, que lamentou a pouca participação, principalmente da população, na qual atribuíram ao medo de retaliações. Logo após Márcia Onorato, do Movimento Contra a Violência questionou a não participação das polícias.

Parentes de vítimas da violência presentes reafirmarem sua luta e questionaram a falta de compromisso das autoridades em debater soluções para que seja defendido o direito á vida na Baixada Fluminense. Luciene Silva colocou a pergunta de como estabelecer canais de interlocução com as autoridades, principalmente as responsáveis pela segurança pública. Adriano Dias, representando a Secretaria de Prevenção da Violência afirmou que em Nova Iguaçu estão sendo criadas políticas sistêmicas voltadas para a questão da violência. E que “o Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública de Nova Iguaçu, o único no estado, esta organizando uma Câmara Popular de Acompanhamento”. O mesmo lamentou também o descaso dos poderes públicos municipais em “não discutirem esta questão que é tão cara para os nosso jovens”.

Estiveram presentes 43 pessoas entre jovens, 9 entidades e somente 4 representantes do poder público.
Desdobramentos

Entendendo que a audiência não seria um fim nela mesma. A ComCausa tomou a iniciativa de oficiar a 6ª Delegacia Judiciária da Polícia Militar, para ter informações sobre os policiais militares acusados do assassinato; estabelecemos interlocução com o Ministério Público sobre a possibilidade da instituição acompanhar o caso, e promoverá um movimento para que o Largo em que Ítalo costumava se encontrar com amigos da comunidade seja batizado com seu nome.

A ComCausa continuará a discussão sobre o extermínio dos jovens na Baixada no intuito de que tragédias como estas tenham punição e não continuem acontecendo.

Publicado no jornal ComCausa 26.

> Por Giordana Moreira

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Fotos: Setor BF.
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